BC estima alta da dívida do setor público em outubro

O dólar ajudou fortemente na evolução das contas públicas em setembro. Segundo dados apresentados hoje pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Túlio Maciel, a desvalorização cambial de 16,8% em setembro contribuiu para reduzir a dívida líquida em R$ 80,9 bilhões. Em outubro, porém, a dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) deve voltar a subir para 38,2% do PIB, porque o dólar voltou a cair em relação ao real.

FERNANDO NAKAGAWA E ADRIANA FERNANDES, Agencia Estado

31 de outubro de 2011 | 12h00

Maciel destacou que as contas públicas brasileiras sofrem, atualmente, outro tipo de influência da variação cambial. "Em outros momentos, quando tínhamos desvalorização cambial havia deterioração do indicador fiscal. Mas agora, como o País é credor em termos líquidos em moeda estrangeira, a desvalorização cambial resulta em queda da dívida líquida do setor público", disse.

Diante das oscilações do dólar, Maciel prevê aumento do indicador da dívida líquida para 38,2% em outubro, ante 37,2% em setembro. "Na medida em que o câmbio se altera, muda a relação entre a dívida líquida e o PIB. Em outubro, já observamos uma volta do dólar. Isso resulta em um retorno do indicador a um patamar mais próximo àquele observado antes", disse, ao comentar que a estimativa de aumento do indicador foi feito com o dólar em R$ 1,70.

Petrobras

Túlio Maciel informou também que, se não fosse a operação de capitalização de Petrobras, o superávit primário das contas do setor público de setembro deste ano (R$ 8,096 bilhões) teria sido o melhor da série desde 2002. A operação de capitalização da Petrobras foi realizada em setembro do ano passado e garantiu uma receita extra de R$ 31,9 bilhões para os cofres do governo federal.

Segundo Maciel, se não fosse essa receita da Petrobras, as contas do setor público em setembro do ano passado teriam apresentado um déficit primário de R$ 3,7 bilhões. Para ele, a comparação dos números da série histórica ficou prejudicada devido às receitas da estatal, que foram um "ponto fora da curva". Por isso, Maciel considerou uma "sinalização importante" mostrar os números sem a operação.

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