Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Após quase um mês, BC volta a divulgar projeções e estimativa de inflação avança para 7,65%

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para este ano é de 3,5% e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 2% e 5%

Thaís Barcellos e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2022 | 09h28

O Banco Central voltou a divulgar nesta terça-feira, 26, após quase um mês, as estimativas de economistas do mercado financeiro para os indicadores da economia. A estimativa de uma centena de instituições para a inflação oficial passou de 6,86% no fim de março para 7,65% pelo dado divulgado hoje.

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para este ano é de 3,5% e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 2% e 5%. No entanto, desde o ano passado, economistas já preveem a inflação em 2022 acima do teto da meta pelo segundo ano consecutivo.

Para 2023, foco principal da política monetária, a alta na última semana foi de 3,91% para 4,00%, se afastando cada vez mais do objetivo do BC para o ano que vem, de 3,25%, com margem de tolerância de 1,75% a 4,75%. Há quatro semanas, a projeção era de 3,80%.

O Focus foi atualizado hoje, após mais de três semanas sem divulgação devido à greve dos servidores do Banco Central, que foi suspensa até o dia 2 de maio.

No documento com a data de referência de 1º de abril, a estimativa para o IPCA 2022 estava em 6,97%, saltando a 7,43% no relatório de 8 de abril e oscilando a 7,46% no dia 15. Para 2023, a previsão no relatório do dia 1º era de 3,80%, indo a 3,89% em 8 de abril e chegando a 3,91% no dia 15 de abril.

Em relação à estimativa para 2024, a alta na última semana foi de 3,16% para 3,20%, de 3,20% um mês antes. As medianas anteriores foram de 3,12% (1º de abril), 3,20% (8/4) e 3,16% (15/4). Já a previsão para 2025 continuou em 3,00%, mesmo porcentual de todas as semanas anteriores e de um mês atrás.

A meta para 2024 é de 3,00%, com margem de 1,5 ponto porcentual (de 1,5% para 4,5%). Para 2025, por sua vez, a meta ainda não foi definida pelo CMN.

No comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) de março, o BC atualizou suas projeções para a inflação com estimativas de 7,1% em 2022 e 3,4% em 2023. Diante da volatilidade no mercado de petróleo causado pela guerra na Ucrânia, o colegiado ainda criou um cenário alternativo, com maior probabilidade, em que as previsões estariam em 6,3% e 3,1%, respectivamente. O colegiado elevou a Selic, a taxa básica de juros, em 1,5 ponto porcentual, para 11,75% ao ano.

Taxa básica de juros

A projeção para a Selic no fim deste ano continuou subindo no Relatório de Mercado Focus. Na última semana, a mediana passou de 13,05% para 13,25% ao ano, ante 13,00% há um mês. Considerando apenas as 79 respostas nos últimos cinco dias úteis, a expectativa para a Selic no fim deste ano continuou em 13,25%.

No Focus com a data de referência de 1º de abril, a mediana para a Selic no fim de 2022 estava em 13,00%, seguindo em 13,00% no relatório de 8 de abril e oscilando a 13,05% no dia 15.

Depois da surpresa com o IPCA de março (1,62%), o presidente do BC, Roberto Campos Neto, apontou que o comitê iria analisar se houve mudança de tendência e que poderia reavaliar as estratégias.

No Boletim Focus, os economistas do mercado financeiro mantiveram a mediana para a Selic no fim de 2023. Na última semana, a estimativa seguiu em 9,00%, de 9,00% um mês antes. A previsão para o fim de 2024 continuou em 7,50%, ante 7,50% de um mês atrás.

No relatório do dia 1º de abril, a projeção para 2023 já era de 9,00%, se mantendo inalterada nos últimos relatórios. Para 2024, da mesma forma, a estimativa se manteve em 7,50% durante todo o período. A previsão para o fim de 2025 continuou em 7,00%, mesmo porcentual das últimas semanas e também de um mês atrás.

PIB

 O Relatório de Mercado Focus ainda trouxe aumento da previsão mediana para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2022, que passou de 0,56% para 0,65% na última semana. Há um mês, a estimativa era de 0,50%.

No boletim com a data de referência de 1º de abril, a mediana para o PIB deste ano estava em 0,52%, passando a 0,53% no relatório de 8 de abril e a 0,56% no do dia 14.

Para 2023, a mediana cedeu de 1,12% para 1,00% na última semana, de 1,30% há quatro semanas. A projeção para o PIB de 2023 vem diminuindo nas últimas pesquisas: era de 1,30% em 1º de abril, 1,25% em 8 de abril e 1,12% em 14 de abril.

O Relatório Focus ainda trouxe as medianas para o PIB de 2024 e 2025, que continuaram em 2,00%. As estimativas são mantidas há 19 semanas e 24 semanas, respectivamente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.