BC europeu mantém juro básico da zona do euro em 1%

Nível ainda é recorde de baixa para a taxa; Trichet anuncia compra de 60 bilhões de euros em títulos

Agência Estado e Dow Jones,

04 de junho de 2009 | 09h19

O Banco Central Europeu (BCE) manteve nesta quinta-feira, 4, a taxa de juros de referência da zona do euro (16 países europeus que compartilham a moeda) em 1% ao ano, nível recorde de baixa, conforme economistas esperavam. Grande parte dos economistas prevê que a taxa permaneça nesse nível até o fim de 2009, com o arrefecimento do ritmo de desaceleração da atividade econômica.

 

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Em entrevista coletiva após a decisão, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, afirmou que o atual nível a taxa de juro na zona do euro é "adequado". O julgamento reflete indicadores econômicos e também o anúncio feito no mês passado de que o BCE irá apoiar os mercados de crédito com a compra de títulos de dívida, acrescentou Trichet.

 

As pesquisas econômicas sugerem que a atividade daqui em diante irá ter desempenho a uma taxa de declínio "muito menos negativa", disse Trichet, acrescentando que a atividade econômica deve recuperar-se gradualmente e começar a crescer em meados de 2010.

 

Bônus

 

Trichet informou também que o banco central vai comprar 60 bilhões de euros em covered bonds na zona do euro, com foco nos títulos de três a 10 anos e operando nos mercados primário e secundário, em um programa que vai durar até junho de 2010. Segundo Trichet, o BCE tem espaço de manobra com o novo programa.

 

Covered bonds são bônus assegurados por um grupo de empréstimos hipotecários ou dívida do setor público, com rating elevado e que permanecem no balanço do credor.

 

O presidente do BCE defendeu que a política monetária dá suporte à atividade corporativa e dos consumidores e afirmou que o banco central agirá prontamente para retirar qualquer estímulo monetário quando a recuperação econômica se materializar.

 

Na opinião dele, os governos da zona do euro precisam planejar estratégias de saída similares e "rápidas" após divulgarem planos de estímulo que elevação a dívida pública média na zona do euro para 80% do Produto Interno Bruto no próximo ano.

 

Trichet rejeitou a acusação feita no começo da semana pela chanceler alemã, Angela Merkel, de que o BCE reagiu à pressão internacional ao lançar o programa de compra de ativos. Ele disse que havia conversado por telefone com Merkel, e que ela havia indicado apoio à independência e estratégia do BCE.

 

O programa do BCE é de "afrouxamento de crédito intensificado" e não o "afrouxamento quantitativo" praticado pelo Banco da Inglaterra e pelo Federal Reserve, disse Trichet.

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