BC europeu mantém juro e sinaliza retirada parcial de estímulos

Presidente do BCE reafirma apoio ao setor bancário, mas anuncia medida que restringe crédito de longo prazo

Marcílio Souza e Nathália Ferreira, da Agência Estado,

03 de dezembro de 2009 | 11h13

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, disse nesta quinta-feira que a autoridade monetária continuará dando ampla liquidez ao setor bancário da zona do euro, mas indicou que as operações de refinanciamento de longo prazo serão encerradas em março e não serão mais oferecidas à taxa de 1,0%. O BCE decidiu nesta quinta manter a taxa básica de juro em 1,0% ao ano, conforme amplamente previsto por economistas.

 

"Decidimos conduzir a última operação de refinanciamento de longo prazo de seis meses em 31 de março de 2010. Essa operação será feita usando um procedimento de leilão a taxa fixa de alocação total, da mesma forma que ocorrerá com as operações regulares de refinanciamento de longo prazo de três meses já anunciadas para o primeiro trimestre de 2010", afirma o comunicado.

 

Além disso, a operação de refinanciamento em 12 meses, que oferece recursos ilimitados, será oferecida neste mês a uma taxa indexada a taxas relevantes, disse Trichet. Antes, o BCE havia oferecido esses fundos a uma taxa fixa.

 

Trichet afirmou que as taxas de juros atuais continuam em níveis apropriados e que o comportamento dos preços deverá seguir contido no horizonte relevante da política monetária. Ele espera que a economia da zona do euro irá crescer a "um ritmo moderado em 2010", mas a expansão deverá ser desequilibrada e altamente incerta.

 

O presidente do BCE também afirmou em comunicado que a autoridade monetária prevê queda do PIB da zona do euro este ano entre 4,1% e 3,9%; para 2010, a previsão é de expansão entre 0,1% e 1,5%, e para 2011, de alta entre 0,2% e 2,2%. A estimativa para 2010 foi elevada em relação à previsão anunciada em setembro, afirma o comunicado, sem especificar qual era essa estimativa.

 

O comunicado afirma também que a zona do euro está se beneficiando atualmente do ciclo de estoques e de uma recuperação das exportações, bem como de estímulos macroeconômicos significativos que estão em curso e de medidas adotadas para restaurar o funcionamento do sistema financeiro. "As condições melhores dos mercados financeiros indicam que nem todas as medidas de liquidez são necessárias na mesma extensão do passado", afirma o comunicado, referindo-se à decisão do BCE de encerrar operações de refinanciamento de longo prazo em 31 de março de 2010.

 

O BCE projeta alta de 0,3% para o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro em 2009. Para 2010, a previsão para o CPI varia de +0,9% a 1,7%; para 2011, de +0,8% a 2,0%. "Os riscos para essa perspectiva continuam de modo geral equilibrados. Eles se relacionam, em particular, com a perspectiva para a atividade econômica e com a evolução dos preços das commodities", afirma o comunicado do BCE.

 

Texto atualizado às 15h

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