BC facilita crédito para capital de giro

Instituições financeiras poderão usar parte do depósito compulsório que fica retido no Banco Central para financiamento às empresas

VICTOR MARTINS, CÉLIA FROUFE / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2014 | 02h02

" data-valor="" />O Banco Central anunciou ontem um estímulo ao financiamento às empresas. As instituições financeiras do País poderão usar parte do depósito compulsório que mantêm no BC para financiar capital de giro das companhias.

De todo dinheiro que um banco capta, como poupança, CDB e outros produtos, parte tem de ser depositada no BC. Para controlar a demanda por financiamento, o BC aumenta ou diminui o índice que tem de ser recolhido compulsoriamente. Isso pode elevar a oferta de crédito ou ter influência sobre os juros das operações.

Com a mudança, o BC tenta deixar mais atrativas as operações de capital de giro a empresas. Esse benefício, até então, estava concentrado no segmento de veículos, mas a instituição entendeu que era preciso estimular também o segmento empresarial.

Em meados de agosto, o Banco Central anunciou a injeção de R$ 25 bilhões no sistema financeiro por meio de medidas técnicas e voltadas para os bancos. O objetivo da autoridade era de que esse dinheiro se transformasse em crédito para consumo, investimento e melhoria da contabilidade de bancos pouco capitalizados. Foi mais uma tentativa de reanimar a economia. Até agora, o BC não apresentou dados sobre o impacto das medidas. Isso poderá ser analisado mais claramente no fim do mês, quando serão divulgados os indicadores de crédito de setembro.

Demora. Alguns representantes da instituição já garantiram, porém, que elas começaram a ter efeito. A aposta era a de que os novos instrumentos para os empréstimos para compra de automóveis fossem o principal e mais veloz motor de repasse dos efeitos dos bancos para a economia. Com um mercado saturado e a economia menos pujante, no entanto, essa disseminação não foi tão forte até aqui.

Quase um mês antes, em julho, o BC já havia liberado R$ 45 bilhões em medidas similares às anunciadas em agosto. O pacote anterior não havia conseguido estimular o mercado de crédito.

Apenas na alteração das regras do compulsório foram liberados R$ 10 bilhões. Os bancos, principalmente aqueles de menor porte, conseguiram convencer o governo de que poderiam usar Letras Financeiras para compor esse montante que fica parado no Banco Central.

As garantias que os bancos dão para as vendas para o exterior também não precisam mais ser tão robustas. Para o BC, esse tipo de operação de seguro já tem o próprio bem embarcado como aval e, portanto, não precisa mais ser de 100% de todo o negócio, mas uma fatia menor. Também foram flexibilizadas as regras para garantias em licitações.

No caso dos veículos, os bancos que conseguissem ampliar suas carteiras acima de 20% da média praticada no primeiro semestre passaram a ganhar uma espécie de "prêmio". Eles podem desde então descontar o valor da carteira dos recursos que são obrigados a depositar no BC sem remuneração.

As garantias que os bancos dão para as vendas para o exterior também não precisam mais ser tão robustas. Para o BC, esse tipo de operação de seguro já tem o próprio bem embarcado como aval e, portanto, não precisa mais ser de 100% de todo o negócio, mas uma fatia menor. Também foram flexibilizadas as regras para garantias em licitações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.