BC fala pelo seu presidente, diz Meirelles em crítica a Torós

Segundo o presidente da instituição, escolha de técnico do BB para o cargo foi baseada em experiência técnica

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

17 de novembro de 2009 | 11h38

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta terça-feira, 17, em entrevista coletiva, que conversou com o diretor de Política Monetária, Mario Torós, após a publicação da polêmica entrevista na edição de sexta-feira passada do jornal Valor Econômico. "Conversando com o diretor, ele disse que é de sua responsabilidade o que está entre aspas (na reportagem). O que não está entre aspas, ele disse que é de outras pessoas", relatou Meirelles. "Entre aspas ou não, aquilo é uma opinião pessoal. O Banco Central fala em documentos e pelo seu presidente", respondeu o presidente do BC.

 

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A escolha de Aldo Luiz Mendes como substituto de Torós, segundo Meirelles, foi baseada em três critérios principais: experiência técnica, perfil técnico e independência. Segundo ele, a experiência técnica de Mendes foi obtida no Banco do Brasil, onde ocupou diversas diretorias até alcançar a vice-presidência de Finanças, Mercados de Capitais e Relações com Investidores.

 

O segundo aspecto, segundo Meirelles, pode ser observado pela ascensão profissional de Mendes, que, de acordo com o presidente do BC, sempre ocorreu de acordo como desempenho do executivo. "E eu sou um homem que acredita na meritocracia", disse. "E Aldo tem excelente relação com os mercados."

 

Por fim, o terceiro critério, de independência, foi apenas citado por Meirelles, sem detalhamento. "Ele (Mendes) é absolutamente adequado para o cargo", afirmou. Meirelles observou que esses critérios que nortearam a escolha de Mendes foram os mesmos que pautaram a indicação de outros diretores da autoridade monetária.

 

Ele afirmou também que "não está previsto nenhum movimento próximo" na diretoria da instituição, após a saída de Torós. Ao ser indagado sobre a possibilidade de os diretores de Política Econômica, Mário Mesquita, e de Liquidações e Crédito Rural, Gustavo do Vale, deixarem seus cargos em breve, o presidente do BC informou que "esses diretores manifestaram o desejo de estarem comigo na gestão do Banco".

 

Meirelles observou, porém, que "no dia em que eu deixar o Banco, não poderei mais falar sobre o futuro". O presidente do BC informou que trabalha com duas datas para deixar o cargo: abril ou dezembro de 2010. "Hoje, a maior probabilidade é que eu atenda o convite do presidente Lula e fique no BC até o fim de 2010. Existe outra possibilidade, que eu vou considerar com seriedade em março", afirmou ao se referir ao prazo legal para que ele deixe o cargo no BC para disputar algum cargo nas eleições de 2010.

A recomendação de Mendes deverá agora ser encaminhada pelo Poder Executivo à aprovação do Senado.

 

Mantega evita comentar mudança

 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, evitou comentar a troca de diretor DO bc. "É uma decisão do BC", disse. Ao ser perguntado se a troca implicava em mudanças na política conduzida pela autoridade monetária, Mantega respondeu: "pergunta pra eles (BC)". O ministro deu as declarações ao chegar ao Encontro Nacional da Indústria, organizado pela CNI.

 

(com Fábio Graner, da Agência Estado)

 

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