BC fará o necessário para manter a inflação oficial na meta

Diretor diz que órgão financeiro vai atuar para trazer as expectativas do mercado para o IPCA de volta a 4,5%

Fábio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

25 de junho de 2008 | 14h42

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Mario Mesquita, afirmou nesta quarta-feira, 25, que diante de pressões inflacionárias a sociedade tenha claro que: "o BC fará o necessário, enquanto necessário, para manter a inflação alinhada à trajetória das metas definidas pelo Conselho Monetário Nacional".  Veja também:Entenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos  BC vê inflação acima do centro da meta em 2008 e 2009 Segundo Mesquita, o BC vai atuar para trazer as expectativas do mercado para o IPCA de volta à meta estabelecida para 2008. Ao apresentar as estimativas dos analistas para o IPCA, que já superaram 6% em 2008, Mesquita classificou o cenário como "consideravelmente acima da meta" e que isso respalda a necessidade da ação da autoridade monetária.  Segundo ele, essa ação, que foi iniciada em abril deste ano, deverá levar os números esperados para o IPCA para posição mais próxima do centro da meta de 4,5% ao ano. "O resultado dessa ação vai ser visto nos números dos próximos meses", afirmou.  Ele também afirmou que o aperto monetário iniciado em abril não terá efeito instantâneo sobre as expectativas de inflação. O diretor afirmou que o BC já contava com essa defasagem do aumento do juro sobre os preços e que a autoridade monetária continua avaliando o comportamento dos preços e vai atuar caso seja necessário.  Mesquita também rebateu as críticas feitas por parte do mercado financeiro em março, quando o Comitê de Política Monetária cogitou elevar o juro pela primeira vez nos últimos anos. Naquela ocasião, alguns analistas classificaram a preocupação do BC como "exagerada, terrorista e descabida". "Os números mostraram que o BC estava correto", disse em entrevista.  Ao ser questionado se o BC foi surpreendido pela subida da inflação nas últimas semanas, Mesquita foi evasivo. Disse apenas que o BC "toma suas decisões com base em um conjunto amplo de informações, em um cenário de risco". Ele explicou que a cada reunião do Copom novas informações são agregadas e o cenário, reavaliado. "À luz destes dados disponíveis, tomamos a melhor decisão possível".  Deterioração temporária  O diretor afirmou também que as decisões sobre as taxas de juros afetam ao longo do tempo os cenários do BC para a inflação. Segundo ele, não é a primeira vez que nos cenários de referência e de mercado elaborados pelo Banco Central o risco de a inflação superar o teto da meta fica na casa de 25%. Ele lembrou que isto aconteceu, por exemplo, no final de 2004, mas, no terceiro trimestre de 2005, depois da atuação da política monetária, esse risco já tinha caído para 3%. "A atuação do BC vai se refletir no cenário econômico, que responde à política monetária", disse Mesquita.  Ele também ressaltou que o BC trabalha para que a deterioração das expectativas inflacionárias seja temporária. As estimativas, destacou, são consideradas no conjunto de informações analisadas pelo BC e que também refletem ao longo do tempo a atuação da autoridade monetária. "A política monetária atua sobre as expectativas, mas não é o único fator que as afeta", disse.  Ele ponderou ainda que, com a inflação consistentemente acima da meta, cortes de juros não são prováveis, mas evitou dizer se isso significava que no governo Lula não haveria mais corte de juros. Ao ser questionado sobre isso, ele enfatizou que o cenário muda ao longo do tempo e de acordo com a atuação do BC.   Déficit na conta corrente  Mário Mesquita afirmou ainda que a expectativa de déficit em conta corrente em 2008 não preocupa porque o montante é "financiado de forma predominante por investimentos de longo prazo (IED)". Ele argumenta que o País continua atraindo capitais produtivos interessados no cenário de médio e longo prazos, já que há expectativa de crescimento sustentável da economia nos próximos anos. Nesta semana o BC divulgou a previsão de déficit de US$ 21 bilhões para a conta corrente em 2008. Mesquita comparou a situação do Brasil com os números de outros países emergentes que têm avaliação de risco semelhante à do País. Segundo ele, esse grupo de nações apresentava, na média, déficit em conta corrente equivalente a 1,8% do PIB no final de 2007, enquanto nos últimos 12 meses o Brasil teve déficit correspondente a 1,1% do PIB. "Nesse mesmo período, o IED equivaleu a 2,8% do PIB", disse Mesquita, ao reafirmar que a conta continua sendo financiada.

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