André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

BC fará o que for necessário para reduzir a inflação no 2º semestre, diz Tombini

Presidente do BC disse que a autoridade agirá ‘com a devida tempestividade’ para assegurar que a tendência de recuo da inflação persista

Agência Estado e Reuters,

16 de maio de 2013 | 15h32

RIO - O Banco Central fará o que for necessário e de forma tempestiva para a inflação cair na segunda metade do ano, afirmou o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, nesta quinta-feira.

"O Banco Central está vigilante e fará o que for necessário, com a devida tempestividade, para colocar a inflação em declínio no segundo semestre e assegurar que essa tendência persista no próximo ano", afirmou ele, ao participar do Seminário Anual de Metas para a Inflação do BC. 

Tombini reforçou, contudo, que a avaliação do BC é que a inflação está e continuará sob controle, embora um choque de oferta de alimentos tenha contribuído para manter elevada a alta dos preços. Por isso, o BC agiu, subindo a Selic, e continuará vigilante, segundo Tombini. "Um choque de oferta registrado no segmentos de alimentos, entre outros fatores, contribuiu para manter a inflação em níveis elevados e acima do esperado nos últimos trimestres. Não obstante, a inflação está e continuará sob controle", afirmou.

"A inflação já está caindo no atacado. Nos próximos três meses, teremos inflação mais baixa no nível do consumidor. Em maio, junho e julho, veremos a inflação mais baixa, refletindo inclusive a queda nos preços de alimentos. Em geral, a inflação é mais baixa nesses três meses. Nós estamos trabalhando para consolidar esse processo ao longo deste ano e de 2014", disse.

O IPCA fechou abril a 0,55%, ficando em 12 meses em 6,49%, muito próximo do teto da meta de inflação do governo de 6,50%, ainda pressionado pelos preços dos alimentos. Em abril passado, o BC deu início a mais um ciclo de aperto monetário, ao elevar a Selic a 7,5%, dando sinais de que o movimento deve continuar.

"A comunicação e as ações do BC têm sido consistentes com essa visão. Em janeiro, o BC explicitou sua preocupação com o nível de inflação e com a disseminação do aumento dos preços. Em março, o BC reafirmou sua preocupação com o cenário prospectivo para a inflação. Além disso, sinalizou que, num futuro próximo, poderia ocorrer uma resposta da política monetária, ou seja, uma elevação da Selic", completou Tombini.

Segundo o presidente do BC, a autoridade monetária agiu também por meio da comunicação com o mercado. "Não resta dúvida de que a comunicação é parte integrante e importante da condução da política monetária. As mensagens passadas pelo BC, por si, determinaram mudanças relevantes nas condições financeiras de modo geral. Mas ações também foram tomadas e a mais relevante foi o início do ciclo de ajustes na taxa de juros básica da economia", afirmou Tombini.

Tombini disse também que o cenário externo permanece complexo e que os riscos para economia global parecem elevados. Segundo ele, a tendência é que isso se intensifique ao longo de 2014. O presidente do BC destacou que os bancos centrais tem ampliado suas ações não convencionais. Segundo ele, os canais de crédito não tem tido a saída esperada.

Investimentos. O presidente do BC previu um aumento da taxa de investimento no Brasil. Segundo ele, a redução dos custos logísticos devem aumentar os investimentos, com os empresários animados com a melhoria da infraestrutura no país.

Tombini previu que o Brasil vai continuar recebendo um "vultoso" fluxo de capital. Por isso,é esperado um aumento temporário do déficit em conta corrente. Entretanto, esse movimento deve ser interpretado como um reflexo de um ciclo de crescimento da economia.

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