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BC faz 50 anos e ganha protesto

Funcionários viraram as costas para o presidente do banco durante a festa

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

30 de março de 2015 | 22h05

O Banco Central comemorou nesta segunda-feira, 30, seus 50 anos sem alarde, mas foi marcado pelo protesto dos seus servidores. Em evento fechado na sede, em Brasília, a cerimônia teve a presença de alguns de seus comandantes mais recentes, como Henrique Meirelles, Armínio Fraga e Gustavo Franco. No entanto, técnicos da instituição decidiram virar as costas - literalmente - para o atual presidente Alexandre Tombini, enquanto fazia o seu discurso.

Esses servidores entraram em greve nesta segunda-feira até a próxima sexta.“Não penso que ninguém que passe por esta casa, que trabalhe na ativa, possa ficar indiferente às suas responsabilidades. Preservar o poder de compra da moeda e assegurar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional são pilares fundamentais para o desenvolvimento econômico e social de qualquer país, inclusive e certamente, do nosso País”, afirmou Tombini.

Tesouradas. Alvo de críticas pelo fato de a inflação estar acima da meta estipulada pelo governo e tendo que dar o exemplo de corte de gastos, a opção do BC foi organizar um evento tímido, no auditório da instituição. Uma explicação para a comemoração modesta é o ajuste fiscal. A instituição tem que dar o exemplo e cortar gastos, pois é uma das principais defensoras das ‘tesouradas’ para aumentar a eficácia da política monetária. Além disso, o BC já tem tido despesas extras com uma grande reforma em sua sede.

Outra explicação pode ser o momento pelo qual passa o BC. Na semana passada, a instituição admitiu que não deve entregar a inflação dentro do teto da meta de 6,5% este ano. Pelos cálculos do BC, a taxa será de 7,9% em 2015. A avaliação é a de que é melhor não haver alarde neste momento. Se a inflação estourar o limite superior da meta, Tombini terá de escrever uma carta ao ministro da Fazenda para apresentar explicações, o que não ocorre desde 2004.

Originalmente, o BC foi criado por uma lei de 1964 e iniciou suas atividades em 31 março de 1965, exatamente um ano depois do golpe militar. Antecipada em um dia, a festa não contou com a presença do ex-presidente do banco Affonso Celso Pastore e do ex-diretor Alexandre Schwartsman. Os dois trocaram farpas recentes com a instituição. Pastore chegou a dizer que a credibilidade de Tombini era baixa e o presidente lamentou o episódio. Pastore está em viagem ao exterior e foi mencionado por Tombini.

Aniversário de 100 anos. Os convites assinados por Tombini foram enviados há aproximadamente um mês. Assim que recebeu o seu, Schwartsman escreveu no Twitter que agradecia, mas por “teimosia” preferia não aceitar convites de quem o tenta processar. “Fica para os 100 anos!”, provocou.

Em agosto do ano passado, o Banco Central moveu uma ação contra o economista após duas entrevistas concedidas por Schwartsman sobre a atuação do BC, em que usava expressões como “incompetente”, “subserviente” e “frouxo”. Em setembro, o BC decidiu não levar o caso adiante.

Ato político. O que era para ser um evento singelo, acabou se transformando num ato político. Cerca de 30 técnicos do BC, convidados para a cerimônia, se levantaram e ficaram em pé e de costas durante a fala de Tombini. Com isso, os demais convidados que estavam presentes e estavam sentados atrás dos manifestantes tiveram de se levantar para acompanhar o pronunciamento de Tombini, que continuou seu discurso.

O objetivo era mostrar as inscrições na parte de trás das camisetas que vestem: “Comemorar o quê?”. A manifestação foi organizada pelo Sindicato Nacional dos Técnicos do Banco Central (SinTBacen). De hoje até o dia 3, a categoria está em greve por melhorias na carreira do BC.

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