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BC faz cinco leilões para conter alta do dólar

Cotação bateu em R$ 2,62, mas caiu e fechou cotada a R$ 2,474

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

O Banco Central (BC) promoveu ontem a maior intervenção diária no mercado de câmbio desde o agravamento da crise financeira internacional, em meados de setembro, após a quebra do banco de investimentos americano Lehman Brothers. Com isso, conseguiu conter uma nova disparada do dólar, que chegou a bater R$ 2,62. No fim dos negócios, a moeda americana caiu 1,79% ante quinta-feira, cotada a R$ 2,474. Ao todo, o BC fez cinco leilões, dois no mercado à vista e três do chamado swap cambial - papel que dá à autoridade monetária o direito de receber um valor corrigido pela taxa de juros e ao mercado, um montante de acordo com a variação cambial. Estima-se que US$ 500 milhões tenham sido vendidos à vista e outros US$ 2 bilhões por meio dos swaps. A atitude agressiva do BC ontem confundiu investidores e operadores. Segunda e terça-feira, a instituição não interveio no mercado. Na quarta, fez dois leilões à vista, em montantes considerados tímidos. Quinta, fez um leilão de swap depois que as negociações já haviam sido encerradas. "Ninguém entende o que ele (BC) está fazendo", disse um experiente analista que pediu para não ser identificado. O BC tem emitido sinais ao mercado de que não vai atuar para conter a escalada do dólar. Argumenta que sua função não é definir um valor para a moeda. Tal função é do mercado. O máximo que pode fazer é prover liquidez e atenuar a volatilidade nos momentos críticos. Praticamente todos os profissionais de mercado referendam a tese. Na prática, porém, muitos dizem que a atuação do BC tem fugido a essa lógica. Na terça-feira, a instituição assistiu, sem se mexer, ao dólar sair de R$ 2,319 para R$ 2,391 - ou seja, quase R$ 0,08. Ontem, quando a alta da moeda superou os R$ 0,10, interveio fortemente no mercado, por meio dos swaps. O experiente profissional indaga: se a intenção é evitar a volatilidade, por que não agiu também terça-feira? Estruturalmente, há várias razões para explicar a alta da moeda americana, mesmo que em intensidade inferior à dos últimos dias. Entre elas, destacam-se: aversão ao risco, que faz muitos investidores deixarem os países emergentes em direção aos Estados Unidos, ainda considerados um porto seguro; incertezas sobre a balança comercial brasileira e sobre a disposição dos investidores em financiar o déficit em conta corrente do País em 2009; e queda brutal dos preços das commodities, o que puxa para baixo as moedas de países exportadores, entre eles o Brasil. "O dólar é guiado por todo esse processo ligado à crise", comentou o economista-chefe da Gradual Investimentos, Pedro Paulo Silveira. "O movimento é mais violento no Brasil porque temos um passivo externo líquido (estoque de recursos de estrangeiros no País descontado dos investimentos de brasileiros lá fora) de US$ 120 bilhões."Para o analista da Itaú Corretora Maurício Oreng, "um pedaço da alta reflete demanda por dólar à vista para remessas de lucros e dividendos ao exterior por parte de fundos de hedge e empresas, uma vez que persistem as dificuldades para esses agentes rolarem as linhas de crédito aqui e no exterior". Outra parte da pressão, disse Oreng, resulta da busca de proteção (hedge) por causa da perspectiva de um cenário macroeconômico pior em 2009. O gerente de câmbio da Fair Corretora, Mario Batistel, diz que as incertezas sobre a tendência da moeda americana criam um terreno fértil para a atuação de especuladores, o que alimenta a alta da moeda e prejudica o mercado. "Muitos clientes abrem consulta para tomar empréstimos visando à exportação, mas não fecham negócio porque consideram o preço alto."

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