BC faz leilão e dólar termina em alta, a R$ 2,0830

O leilão de compra de dólares do Banco Central pressionou o câmbio nesta quinta-feira e fez o dólar encerrar em alta de 0,24%, cotado a R$ 2,0830. Durante todo o dia, a moeda norte-americana operou em baixa, com fluxo positivo de moeda, e chegou a renovar a mínima em nove meses, a R$ 2,0650. Nos últimos minutos do pregão, o dólar mudou de rumo. "O BC compra 500 milhões, 600 milhões de dólares todo dia, uma hora tinha que fazer o mercado andar um pouco para cima", comentou o gerente de câmbio de um banco nacional, que não quis ser identificado. O Banco Central definiu taxa de corte de R$ 2,0770 no leilão de compra de dólares e operadores relataram que mais de 10 propostas foram aceitas. As operações diárias têm engrossado as reservas internacionais, que somavam US$ 97,65 bilhões na quarta-feira. Só em fevereiro, o incremento já é de US$ 6,57 bilhões. TendênciaO gerente ponderou, no entanto, que a subida do dólar no fim do pregão "está longe de ser uma tendência". "Acho até que se subir um pouco mais já volta a ter venda de novo". A tendência contínua de queda do dólar se explica pelo desempenho da balança comercial e pelo cenário internacional favorável aos emergentes. No ano até a terceira semana de fevereiro, a balança acumula superávit de US$ 4,246 bilhões.Nesta tarde, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subia quase 1%, e seguia nas máximas históricas. Já o risco-país - que mede a desconfiança do investidor estrangeiro em relação à capacidade de pagamento da dívida do País - estava nas mínimas históricas, em 175 pontos básicos - ou seja, 1,75 ponto porcentual acima dos juros dos títulos norte-americanos (considerados sem risco). Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora, reforçou que a expectativa é de mais ingressos de divisas no mercado brasileiro. "Tanto os fundamentos da economia brasileira, quanto a conjuntura interna e externa apontam nessa direção", disse. Soma-se a esse cenário positivo a perspectiva de que os juros norte-americanos não devem subir este ano, o que aumenta a atratividade de ativos de países emergentes, que oferecem maior retorno, afirmam analistas.

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