BC: ferramenta para conter inflação é taxa de juros

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita, disse hoje que "a ferramenta clássica usada pelos bancos centrais é a taxa de juros". Assim, ele respondeu a pergunta sobre se há estudos conjuntos do BC com o Ministério da Fazenda para criar outras ferramentas contra a pressão inflacionária. Mesquita também disse que não comenta iniciativas de outras áreas do governo.O diretor criticou medidas de regulação do crédito, como o Ministério da Fazenda esteve recentemente estudando, da década de 70. Na ocasião, foram adotadas medidas de restrição ao crédito como fixação de limites de entrada mínima e prazo máximo para financiamento. "A experiência do BC na década de 70 não parece ser a mais interessante", disse ele, para quem o resultado das políticas, então, foram "decepcionantes". De acordo com ele, "na época não havia muito compromisso com a estabilidade".Ele lembrou que "no mundo, um número grande de países opera com taxas de juros elevadas", apesar de em outros países, como os Estados Unidos, estar havendo redução dos juros (o BC americana vem reduzindo o juro básico no país em meio à crise que assola a maior economia do mundo). Mesquita registrou ainda que a China já aumentou juros mais de uma vez este ano.Mesquita ressaltou que o BC considera um conjunto grande de informações e projeções, mas "olha para suas próprias projeções para tomar decisões". Deixou claro que isso vale também em relação a informações de outros órgãos do governo.BNDESMesquita não quis comentar a informação dada pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, ontem de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pediu avaliação de gargalos potenciais em cinco setores e a instituição de fomento não identificou nenhuma pressão de preço.O diretor do BC relatou que a autoridade monetária se pauta por indicadores macroeconômicos. "Não fazemos análise setorial. O risco que a gente vê é macro", disse. No entanto, ele mencionou que "diversos segmentos estão com uso da capacidade alto, principalmente bens de capital (máquinas e equipamentos) e material de construção, que estão praticamente no topo". Mesquita citou pelo menos duas vezes como maior preocupação do BC o descompasso entre o ritmo de crescimento da demanda e da oferta, que pode causar pressão inflacionária.

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