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BC flexibiliza acesso às reservas

Para especialistas, no entanto, medida tem efeito prático limitado porque existe pouca demanda por essa linha

Eduardo Kattah, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse ontem que a instituição irá colocar em prática na próxima semana uma nova sistemática de leilão de linha de crédito de empréstimo externo utilizando recursos das reservas internacionais do País. A medida, segundo Meirelles, visa ampliar e flexibilizar a concessão de financiamentos, abrangendo também empresas brasileiras que têm dívidas no exterior, mas que não são necessariamente exportadoras. A nova sistemática, "com desembolso mais rápido", é uma espécie de extensão de medidas tomadas anteriormente para financiar o comércio exterior por meio de operações de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) e de Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACEs). Meirelles afirmou que o BC, ao contrário da maior parte dos países emergentes e em desenvolvimento, pôde após a crise ofertar crédito externo para bancos e empresas brasileiras, substituindo instituições financeiras internacionais. Segundo ele, desde então, o BC já ofertou e concedeu cerca de US$ 20,3 bilhões das reservas para, principalmente, financiamento de exportação. Deste total, US$ 8 bilhões já foram pagos, restando aproximadamente US$ 12,3 bilhões em contratos em andamento. A medida é mais uma tentativa do BC de destravar os empréstimos de recursos das reservas para rolagem de dívida externa de empresas. O BC informou ontem que eliminou o cronograma anteriormente estabelecido para desembolso dos recursos. De acordo com o comunicado 18.241, publicado ontem pelo BC, a entrega dos dólares para essas operações será feita em qualquer dia, à medida que as operações forem sendo fechadas e aprovadas pelo BC, e não mais apenas nas datas que havia sido fixadas anteriormente. Essa modalidade de empréstimo, criada pelo governo em fevereiro para tentar superar a restrição de crédito externo para a economia brasileira, até agora não teve nenhum contrato fechado. A próxima data de desembolso, prevista no formato anterior, seria 31 de março (próxima terça-feira). O BC alegou que está tentando simplificar o processo de liberação dos recuros. Na prática, a decisão de ontem tira de cima do próprio BC um elemento de pressão gerado pelo fato de que o mercado não manifestou interesse inequívoco pela nova linha de crédito. Esse desinteresse ficava expresso em cada data prevista para o desembolso de recursos, quando a autoridade monetária tinha que informar que não repassaria dinheiro por falta de contratos fechados. Apesar do pedido da reportagem, o BC não atualizou a informação sobre o nível de demanda por essa operação. Na semana passada, a informação oficial era de que havia cerca de US$ 2,5 bilhões de demanda prestes a ser concretizada, bem abaixo dos US$ 20 bilhões projetados inicialmente por Meirelles. Na visão de fontes do mercado, a decisão de ontem foi mais uma tentativa de viabilizar a linha de crédito. "O BC está tentando achar um jeito de facilitar para sair o negócio, mas isso não muda nada, pois os entraves verdadeiros continuam", disse uma fonte, citando a rigorosa exigência de garantias e o custo alto que a linha impõe para as empresas, já que os bancos colocam um spread (diferença sobre o custo pago para o BC) para fechar negócio. Além disso, o processo em si é complicado, tanto que nem os próprios bancos, que passaram num segundo momento a ter acesso aos empréstimos para rolar suas próprias dívidas, fecharam negócio até agora. Operadores de mercado também dizem que a pequena melhora recente nas condições de financiamento externo, que já permite a algumas empresas captarem lá fora, pode estar inibindo a demanda pelas operações com o BC. "Talvez não tenha necessidade da linha. Algumas empresas estão conseguindo captar dinheiro no mercado e talvez elas enxerguem uma maneira mais fácil de obter os recursos e estejam esperando um melhor momento para acessar o BC", disse outra fonte.Meirelles reiterou o anúncio, previsto para abril, da possibilidade de participação de bancos internacionais que não tem operações no Brasil no refinanciamento das dívidas de empresas. Conforme o presidente do BC, esse "pacote de medidas" é mais um esforço para a normalização do crédito, o incremento da competição e a redução dos spreads bancários - a diferença entre o custo pago pelo banco para captar recursos e o juro que ele cobra dos clientes.

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