BC foi informado há 17 meses de irregularidade no FGC, diz revista

Subordinados de Tombini sabiam de atividades de ex-diretor do Fundo Garantidor de Crédito, segundo 'Época'; BC nega

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2013 | 02h15

Autoridades do Banco Central conheciam "há pelo menos 17 meses o esquema montado pelos diretores do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) nas liquidações bancárias" e os desvios na intervenção do Banco Cruzeiro do Sul. A informação é da revista Época, publicada na edição que circula neste fim de semana. Segundo o semanário, o BC teria sido omisso diante das denúncias. O Banco Central, por meio de comunicado publicado ontem em seu site, afirmou que "repele, rejeita e repudia, veementemente, todas as ilações e afirmações mentirosas e vazias nelas contidas, relativas à eventual falta de lisura na condução de regimes especiais decretados pela autarquia".

De acordo com Época, subordinados diretos do presidente do BC, Alexandre Tombini , foram informados oficialmente e por duas vezes a respeito das atividades do então diretor executivo do FGC, Celso Antunes, e de outro diretor do Fundo, José Lattaro. Isso antes de o BC decretar a intervenção no Banco Cruzeiro do Sul e nomear Antunes como administrador. Mas quando o caso veio à tona, "o BC se disse surpreso, afastou os envolvidos e abriu uma investigação", observa a reportagem.

Em junho de 2012, quando o Cruzeiro do Sul entrou em colapso, o BC interveio e nomeou o FGC como administrador, tendo Antunes no comando do banco. Ele, por sua vez, teria contratado uma microempresa de um ex-sócio para prestar serviços à massa falida do banco. O escândalo estourou em agosto e com isso Antunes e Lattaro foram demitidos.

Resposta. O comunicado do Banco Central afirma que "a cúpula do BC jamais tomou conhecimento da existência de qualquer "esquema montado pelos diretores do FGC nas liquidações bancárias e, se tivesse tomado, não hesitaria em prontamente agir para coibir eventuais práticas ilícitas e punir os responsáveis".

A nota garante ainda que "os diretores de Organização do Sistema Financeiro e de Fiscalização do BC não foram informados de quaisquer atividades ilícitas ou não de dirigentes do FGC". Segundo o Banco Central, é também "inverídica e descabida a afirmação de que dois diretores do BC esconderam as denúncias do presidente".

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