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BC: gestão de risco não é apenas vitrine para bancos

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Anthero de Moraes Meirelles, passou uma mensagem clara às instituições financeiras no Brasil, segundo a qual a gestão de risco realizada por elas precisa ser competente. "Não podemos entender a gestão de risco pelas instituições financeiras simplesmente como uma vitrine, para ser vista por clientes, reguladores, supervisores, investidores, auditores, agências de rating", disse. "Temos uma obrigação permanente em relação à sociedade de garantir que as instituições implementem uma gestão de risco eficaz em suas atividades, plenamente incorporadas ao seu dia-a-dia e à sua cultura, inclusive, especialmente na alta administração", disse, no encerramento do primeiro Congresso Internacional de Gestão de Riscos, realizado pela Febraban.

RICARDO LEOPOLDO, Agencia Estado

21 de outubro de 2011 | 14h39

No evento, Meirelles fez uma avaliação positiva sobre o caráter robusto e resistente das instituições financeiras no Brasil, que estão capitalizadas, saudáveis e contam com a supervisão e fiscalização on line do BC, que é uma das mais austeras do mundo. Contudo, ele destacou que "o preço da estabilidade é a permanente vigilância." Ele ressaltou que a solidez do sistema financeiro além de ser representada em números precisa ter um lastro também em confiança, o que requer grande responsabilidade por parte das instituições comerciais e também da atividade de fiscalização e supervisão do Banco Central.

O comentário do diretor do BC foi feito num contexto internacional de instabilidade financeira, com raízes na crise de 2007/2008, quando muitos bancos de investimento pelo mundo, sobretudo norte-americanos, lançaram produtos muito alavancados com garantias precárias. Além de muitos deles terem quebrado, como o Lehman Brothers, tais procedimentos provocaram imensa perda de riqueza de seus investidores, o que ajudou a mergulhar o mundo há três anos na pior recessão surgida desde 1929.

O diretor do Banco Central afirmou que há grandes desafios para a supervisão e fiscalização do sistema financeiro nacional pelo BC. "Um ponto importante, que temos enfocado junto a nossas equipes, é um adequado equilíbrio entre a metodologia de supervisão focada em riscos e em modelos, e as práticas de supervisão mais tradicionais, que implicam atitudes e abordagens de supervisão intrusivas, proativas, abrangentes e conclusivas", disse.

Nesse contexto, Meirelles mencionou que foi importante a recente edição da Resolução Bacen 4019, que consolida e amplia as medidas prudenciais que o Banco Central pode utilizar quando é detectada alguma situação que indique risco acima da capacidade de controle e gerenciamento da instituição financeira supervisionada. "Este conjunto de medidas prudenciais inclui determinar, por exemplo, que a instituição reduza o pagamento de dividendos e retenha lucros; desfaça-se de carteiras ou de ativos, ou de posições; limite ou suspenda aumentos de remuneração de administradores, entre outros", destacou.

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