BC: há margem residual para redução da Selic

O Banco Central (BC) repetiu expressão usada na ata da reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre o espaço para a continuidade do processo de redução da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. De acordo com trecho do Relatório Trimestral de Inflação, divulgado hoje, há "margem residual" para um processo de flexibilização da política monetária. O atual ciclo de afrouxo monetário, iniciado em janeiro deste ano, reduziu a Selic em 4,5 pontos porcentuais, para o atual nível recorde de baixa de 9,25% ao ano.

ADRIANA FERNANDES E FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

26 de junho de 2009 | 11h13

Mesmo assim, o BC diz que é preciso "manter postura cautelosa, visando assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas". No documento, os diretores do BC afirmam que o desaquecimento da demanda, a deterioração da confiança dos agentes e a contração da economia global "criou importante margem de ociosidade dos fatores de produção, que não deve ser eliminada rapidamente em um cenário de recuperação gradual da atividade econômica". O documento diz ainda que outro risco à inflação vem da recuperação dos preços das matérias-primas (commodities). Essa transmissão ocorreria, por exemplo, pelos preços de alimentos.

Emprego

O BC tem uma avaliação pouco otimista sobre o comportamento do mercado de trabalho. De acordo com o relatório divulgado hoje, "os últimos meses mostram retração do mercado de trabalho, em parte sazonal". Em maio, segundo dados do IBGE, a taxa de desemprego ficou em 8,8% ante taxa de 8,9% em abril.

Nesse trecho do texto, o BC diz que essa retração do mercado de trabalho pode "eventualmente" se intensificar porque "o emprego reage com alguma defasagem aos desenvolvimentos do nível de atividade". Se isso acontecer, seriam elevados "os movimentos iniciais de desaceleração da demanda e, por conseguinte, funcionar como um mitigador de possíveis pressões inflacionárias".

Crédito

O BC previu, no relatório, a continuidade da recuperação do mercado de crédito no Brasil. De acordo com o documento, as condições do mercado de crédito evoluíram positivamente nos últimos meses. O BC destaca que as taxas de juros das operações de crédito a pessoas físicas já se encontram em níveis semelhantes, ou mesmo inferiores, aos vigentes em agosto do ano passado, ou seja, antes do agravamento da crise financeira internacional. "O volume de operações também está em recuperação", afirma.

O relatório ressalta que o crédito, cujo crescimento foi elemento importante de sustentação da demanda agregada, exerceu papel central no processo de aceleração. De acordo com o BC, o alargamento dos spreads bancários (diferença entre o custo pago pelo banco para captar recursos e o juro que ele cobra dos clientes) e o encurtamento do prazo contratual contribuíram para conter a demanda agregada.

Tudo o que sabemos sobre:
BCSelicjuro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.