BC: impulso fiscal deve acelerar inflação em 2010

O aumento dos gastos públicos deve acelerar a inflação a partir do segundo semestre de 2010. A avaliação consta do Relatório Trimestral de Inflação do 3º trimestre de 2009 divulgado hoje pelo Banco Central (BC). No documento, a diretoria da autoridade monetária afirma que o aumento das projeções de inflação a partir de meados do próximo ano "em parte se deve aos impulsos fiscais esperados para o segundo semestre de 2009 e o primeiro de 2010, que vêm contribuindo para acelerar a retomada da atividade".

FERNANDO NAKAGAWA E FABIO GRANER, Agencia Estado

25 de setembro de 2009 | 09h57

Em outro trecho do documento, os diretores do BC avaliam também que a elevação dos gastos públicos foi maior que o inicialmente previsto. Ao comentar as causas dessa elevação das estimativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a autoridade monetária explica que a alta foi gerada pela queda da taxa básica de juros (Selic) "bem como ao fato de que os impulsos fiscais implementados no segundo trimestre do ano corrente foram maiores do que o esperado".

No relatório, os diretores do BC afirmam, ainda, que os impulsos fiscais constam da lista de principais riscos no cenário doméstico. Esses riscos, segundo o BC "estão relacionados à intensidade da recuperação da atividade, à resistência inflacionária e aos efeitos cumulativos e defasados da distensão das condições monetárias e dos impulsos fiscais". O documento diz, porém, que o recuo das estimativas de inflação para o terceiro trimestre de 2011 já reflete a expectativa de que pelo menos uma parte desses estímulos fiscais podem ser retirados a partir do segundo semestre de 2010.

De acordo com o documento, as projeções do Relatório de Inflação levam em conta o cumprimento da meta de superávit primário (economia do governo para o pagamento dos juros da dívida externa) de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 e de 3,3% do PIB em 2010.

Projeção

A projeção para a inflação em 2009 no cenário de mercado foi mantida. No documento, a previsão de alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano foi mantida em 4,2%. Para os 12 meses encerrados neste terceiro trimestre, a previsão de alta do índice foi reduzida ligeiramente, de 4,4% para 4,3%.

Para 2010, a previsão de elevação do IPCA subiu de 4,2% para 4,4% no cenário de mercado. Por trimestre, a expectativa para a alta dos 12 meses encerrados no primeiro trimestre foi mantida em 4,1%. Para o segundo trimestre de 2010, a expectativa foi ligeiramente reduzida, de 3,7% para 3,6%. Para o terceiro trimestre, a estimativa teve leve alta, de 3,8% para 3,9%.

No cenário de mercado, as estimativas são construídas conforme a expectativa dos analistas para o comportamento dos indicadores de câmbio e juros para os próximos meses. Para o último trimestre de 2009, a previsão para o câmbio é de R$ 1,82 e, para o fim de 2010, a expectativa é de dólar a R$ 1,85. Para a Selic (a taxa básica de juros da economia), a expectativa dos analistas é de juro de 8,75% ao ano no fim de 2009 e de 9,08% ao ano no fim de 2010.

A estimativa do BC para o comportamento do conjunto de tarifas e serviços públicos caiu. Pelo cenário oficial previsto para o ano, a previsão de aumento em 2009 caiu de 4,8%, estimados no documento de junho, para 4,5%. Segundo o BC, essa projeção leva em conta a expectativa de que a gasolina não terá aumento em 2009, mas que o gás de cozinha terá alta de 6,9%, a eletricidade deve subir 5,4% e a telefonia fixa terá reajuste de 1,1%.

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