BC indica prioridade à atividade após intervir no dólar e juros caem

Cenário:

MÁRCIO RODRIGUES , O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2012 | 03h07

As taxas futuras de juros passaram por uma correção de baixa ontem, sobretudo nos vencimentos intermediários e longos. O movimento, durante algum período do dia, contrariou o tom mais otimista visto no exterior e foi sustentado, ao longo da tarde, pela piora dos mercados norte-americanos. No entanto, na visão de alguns profissionais da área de renda fixa, o leilão de swap cambial reverso do Banco Central - equivalente à compra de moeda no mercado futuro - justifica, em alguma medida, o recuo das taxas, podendo ser interpretado como mais um sinal de que a autoridade monetária, e o governo, está mais preocupada, no momento, com o comportamento da atividade do que com o da inflação.

No fechamento dos negócios na BM&F, a taxa projetada pelo contrato de juro para janeiro de 2013 ficou em 7,30%, de 7,31% no ajuste anterior. Já a taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2017 cedeu para 9,31%, de 9,36% na véspera. Ainda assim, seguem inalteradas as apostas de que a taxa básica de juros, a Selic, será cortada em 0,50 ponto porcentual na próxima semana, para 7,50% ao ano.

No caso do câmbio, mesmo com a venda de 7 mil contratos de swap reverso, equivalentes a US$ 350,2 milhões, o dólar à vista no mercado de balcão cedeu 0,05%, a R$ 2,0170. O recuo, porém, teria sido maior sem a presença do BC. Logo após a abertura, a moeda dos EUA em relação ao real tocou na mínima de R$ 2,007, em linha com a menor aversão ao risco que prevalecia no exterior. Foi aí que a autoridade monetária iniciou pesquisa de demanda para, depois, fazer a operação de swap.

Já a Bovespa, que chegou a reconquistar os 60 mil pontos pela manha, perdeu fôlego ao longo da tarde, em linha com a piora dos mercados norte-americanos. A queda de 92% no lucro da Best Buy e os comentários do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart, para que os investidores não esperem muito da política monetária, levaram as bolsas dos EUA para o território negativo.

O Ibovespa terminou com queda de 0,62%, aos 58.917,73 pontos. A Petrobrás ajudou no movimento de queda, depois que sua presidente, Maria das Graças Foster, negou que haja negociações para o reajuste dos combustíveis. O papel ON cedeu 1,64% e o PN perdeu 1,58%.

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