BC indica que Dilma entregará governo com inflação mais alta que Lula

Segundo o Relatório de Inflação, a incerteza sobre preços de gasolina e eletricidade é fonte relevante de risco à alta do IPCA

Adriana Fernandes, Victor Martins e Eduardo Rodrigues, da Agência Estado,

27 de março de 2014 | 09h39

BRASÍLIA - Pelas projeções do Relatório Trimestral de Inflação, do Banco Central, a presidente Dilma Rousseff vai entregar uma inflação maior, no seu último ano de gestão, do que a recebida de seu antecessor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo os dados da autoridade monetária, 2014 termina com alta de 6,1% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), taxa superior que os 5,91% registrados em 2013.

O BC destacou que apesar de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter anunciado medidas de socorro para o setor elétrico, para evitar o repasse de tarifas para os consumidores, incertezas relevantes vindas de eletricidade e gasolina, pesam sobre a inflação. Até então, a instituição não tinha dado destaque para esses preços.

"O Copom entende que uma fonte relevante de risco para a inflação reside no comportamento das expectativas de inflação, impactadas negativamente nos últimos meses pelo nível da inflação corrente, pela dispersão de aumentos de preços e pelas incertezas que cercam a trajetória de preços com grande visibilidade, como o da gasolina e os de alguns serviços públicos, como eletricidade", disse a autoridade monetária na página 77 do documento.

O RTI informou ainda que em função desses riscos o BC tem agido no sentido de fazer com que a "elevada variação dos índices de preços", observada no nos últimos 12 meses, seja percebida pelos agentes como um processo de curta duração. Disse ainda que apesar de ter traçado um cenário pior para a inflação de 2014, comparado ao visto no RTI de dezembro, considera que a resposta da economia "segue em linha com o que se poderia antecipar". O BC ainda não tinha feito essa afirmação em sua comunicação.

Para a instituição, diante das informações disponíveis, os impulsos monetários têm se propagado normalmente por intermédio dos principais canais de transmissão, o que deve continuar nos próximos trimestres.

Dólar. O câmbio está entre as preocupações do Banco Central. Segundo o Relatório Trimestral de Inflação, a depreciação e a volatilidade da taxa de câmbio, verificadas nos últimos trimestres, constitui "fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos".

Segundo a autoridade monetária, o problema está na influência que a divisa norte-americana tem sobre os preços administrados, sobretudo petróleo. "A materialização desse processo se torna mais complexa pelo fato de os preços administrados - uma cesta, em parte, composta por bens e serviços não comercializáveis - encontrarem-se desalinhados, em patamares baixos", diz um trecho do documento.

O BC, no entanto, defende que o movimento de câmbio é parte de um fenômeno global e reflete perspectivas de transição dos mercados financeiros internacionais na direção da normalidade, sobretudo quando se fala de liquidez e taxas de juros.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, havia dito algo semelhante na audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), em 18 de março, quando argumentou que o Brasil e o mundo estão em processo de transição.

Administrados. Segundo o relatório,  a projeção para a variação do conjunto dos preços administrados por contrato e monitorados, tanto no cenário de mercado quanto no de referência, é de 5,0% para 2014, ante 4,5% considerados no Relatório anterior. Essa projeção, explica o documento, considera variações ocorridas, até fevereiro, nos preços da gasolina (0,6%) e do gás de bujão (0,3%), bem como as hipóteses, para o acumulado de 2014, de estabilidade nas tarifas de telefonia fixa e de aumento de 9,5% nos preços da eletricidade.

Tudo o que sabemos sobre:
inflaçãoIPCAgasolinaenergia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.