BC: inflação futura não deve se distanciar da meta

O Relatório de Inflação referente ao primeiro trimestre de 2001 divulgado pelo Banco Central (BC) ressalta que ao contrário do repasse de curto prazo, a estimativa do repasse de longo prazo da variação cambial sobre a inflação "não pode ser obtida de maneira tão simples". Isso porque ela incorpora também os efeitos de "segunda ordem" causados pela inércia inflacionária e pelo impacto da variação cambial sobre as expectativas futuras da inflação. Segundo análise dos diretores do BC, em casos "extremos", em que as expectativas de inflação são revistas para cima imediatamente após qualquer desvalorização cambial, no longo prazo o repasse será integral. "No outro extremo, em que os agentes acreditam que a inflação não se distanciará da meta, as expectativas de inflação futura não serão alteradas após a variação da taxa de câmbio e o repasse será significativamente menor", avaliam os diretores do BC. De acordo com os modelos utilizados pelo BC, se as expectativas de inflação não mudam, o repasse no longo prazo é da ordem de 16% da variação cambial, e mais de 90% desse efeito já se incorpora aos preços ao final do primeiro ano. Para os diretores do BC, fazendo-se uma comparação da evolução recente do câmbio com as expectativas do mercado para a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) este ano pode-se concluir que "estamos mais próximos desta última situação", ou seja, as metas de inflação futura não serão alteradas.

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