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BC inglês admite que país pode sofrer depressão

Segundo autoridade monetária, endividamento das famílias e deflação tornam quadro britânico crítico

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2009 | 00h00

Pela primeira vez desde o início da crise global, autoridades monetárias de um país industrializado admitem que correm o risco de entrar em uma grave depressão econômica, o que seria a primeira desde os anos 30. Ontem, o Banco da Inglaterra (o BC britânico) informou que, diante do nível de endividamento das famílias, o Reino Unido pode passar de uma recessão para uma depressão. Alguns dos primeiros sintomas, segundo o banco, já poderiam ser identificados diante de uma dívida privada que já é superior ao Produto Interno Bruto (PIB) do país.O principal motivo é o alto nível de endividamento das famílias e os efeitos de uma deflação, que aprofundariam a crise. Hoje, o Banco da Inglaterra já pratica suas taxas de juros mais baixas em 300 anos para tentar estimular a retomada econômica.Mas se a deflação pode, no curto prazo, reduzir os preços dos bens aos consumidores, no médio prazo ela é um sinal da paralisia de uma economia. Não por acaso, o governo vem dando incentivos fiscais para o consumo e ainda créditos para empresas médias e pequenas. Segundo o BC inglês, a realidade é que a dívida privada no país atingiu pela primeira vez a marca de US$ 2 trilhões, 165% acima dos níveis de 1997. Isso significa que, na prática, cada família britânica tem em média uma dívida de US$ 84 mil, a maior taxa no mundo. Até o ano passado, essas dívidas eram financiadas com créditos fáceis. Hoje, a crise se traduz, para muitas famílias, em uma explosão de suas dívidas e em falta de financiamento.O endividamento, em conjunto com a deflação, seriam sinais de que a economia pode estar caminhando para algo não muito diferente do que ocorreu nos Estados Unidos, nos anos 30. Naquela década, a queda do PIB foi bem mais profunda do que está sendo visto em 2009. Mas em sua publicação trimestral, divulgada ontem, o BC inglês aponta que famílias estão acumulando dívidas, enquanto a economia acumula desempregados, num processo parecido ao dos anos 30.Para completar o cenário considerado como preocupante, os consumidores ainda enfrentam taxas de juros altas nos bancos. Mesmo com a queda das taxas de juros do BC britânico, o temor de calotes está fazendo com que os bancos comerciais evitem facilitar o empréstimo para as famílias.O primeiro-ministro Gordon Brown deixou claro que fará "tudo que estiver ao seu alcance" para evitar que a situação se repita a crise dos anos 30. No início de abril, ele receberá os líderes do G-20 para a cúpula que pretende reformar o sistema financeiro e uma tentativa de coordenar ações.No terceiro trimestre de 2008, o PIB inglês caiu 1,5%. Há 20 anos, o país não conhecia tal queda. Além de cortar os juros para 0,5%, Londres injetou US$ 210 bilhões para comprar títulos das dívidas pública e privada. NÚMEROSUS$ 84 mil é a dívida média de cada família britânica, segundo o BC inglês. É a maior taxa do mundoUS$ 2 trilhões é o valor atual da dívida privada do Reino Unido, segundo o Banco Central inglês

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