BC interrompe ciclo de cortes e deixa juro a 7,25%

Após dez reduções seguidas, decisão da última reunião do ano do Copom já era esperada pelo mercado e foi adotada por unanimidade

EDUARDO CUCOLO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h09

O Banco Central manteve ontem a taxa básica de juros em 7,25% ao ano e interrompeu o ciclo de cortes iniciado em agosto de 2011, quando a Selic estava em 12,5%. A instituição também indicou que não deve mexer tão cedo na taxa que serve de referência para o custo do crédito e para a maioria das aplicações financeiras, pois a economia brasileira só agora começa a se recuperar e a crise nos países desenvolvidos segue sem solução.

A decisão foi unânime e já era esperada pela maioria dos economistas. A instituição também repetiu as afirmações feitas ao final da reunião anterior, em outubro, quando foi realizado o último corte de juros.

Para o Banco Central, a estabilidade dos juros "por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear".

Ao justificar a manutenção, a instituição citou ainda o balanço de riscos para a inflação, a recuperação da atividade doméstica e a complexidade que envolve o ambiente internacional, mesma avaliação feita no começo do mês passado.

Essa foi a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deste ano. Agora, os diretores do BC só voltam a se reunir nos dias 15 e 16 de janeiro. A expectativa da maior parte do mercado financeiro é que os juros continuem no patamar atual, pelo menos até o fim de 2013.

Sequência. Entre agosto do ano passado e outubro de 2012, foram realizados dez cortes seguidos nos juros, que estão hoje no menor patamar da história recente. As taxas para consumidores e empresas também atingiram mínimos históricos.

A inflação, por outro lado, está em 5,45% nos últimos 12 meses, acima do centro da meta de 4,5%. Já a atividade econômica só agora começa a se recuperar, o que deve fazer com que o crescimento nos dois primeiros anos do governo Dilma Rousseff registre a segunda pior média da história recente, atrás apenas do governo Collor.

As previsões oficiais de crescimento para este ano são de 1,6%, pelo BC, e de 2%, pelo Ministério da Fazenda. Para o próximo ano, analistas já começaram a reduzir suas estimativas, cuja média está agora abaixo de 4%.

Na semana passada, o presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou que os juros estão hoje mais próximos do verificado no resto do mundo.

Disse, no entanto, que a instituição poderá fazer ajustes nos juros, para cima ou para baixo, quando necessário. Segundo Tombini, a explicação para a contradição entre o consumo alto estimulado pelos juros baixos e o fraco crescimento econômico é que o BC só administra a demanda. E o entrave hoje está na oferta, que depende de outras políticas de governo.

O diretor de investimentos da Lecca, Samy Balassiano, projeta um crescimento em torno de 3,5%. Para o economista, esse patamar já deve puxar para cima a inflação e levar o BC a elevar os juros no segundo semestre de 2013. "Eu acredito em uma retomada mais forte da economia a partir de março, com o cenário mundial começando a melhorar um pouco, e a inflação vai levar a um ajuste nos juros."

Em relação aos cortes já realizados, Balassiano diz que alguns analistas ficaram assustados no começo, mas a decisão de reduzir os juros já em 2011 foi acertada. "Não foi uma política inflacionária, porque havia uma demanda mundial reprimida. O BC deu a pancada nos juros para tentar reanimar a economia, mas isso não aconteceu devido ao tamanho da crise internacional", afirmou. "A gente não conseguiu crescer, mesmo com juros baixos, mas não tivemos nenhuma disparada da inflação."

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