BC intervém, anuncia novo leilão e ainda assim dólar sobe

Cenário:

NALU FERNANDES, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2012 | 03h10

O Banco Central bem que tentou conter o movimento recente de alta do dólar por meio do leilão de 60 mil contratos de swap cambial - absorvidos integralmente -, mas o sinal positivo não abandonou as telas de operação até o fim dos negócios ontem, com a moeda norte-americana encerrando o dia cotada a R$ 2,0830 no mercado à vista de balcão (+0,43%).

Segundo operadores, a absorção integral neste leilão mostra demanda por hedge, ou proteção, indicando que os agentes financeiros seguem compradores. E o avanço do dólar persistiu a tal ponto que a autoridade monetária chamou novo leilão de swap para hoje, mais uma vez em dois vencimentos (1 de agosto e 3 de setembro) e no montante de 60 mil contratos (US$ 3 bilhões). O swap cambial é um contrato que, na prática, equivale à venda de dólares no mercado futuro.

Segundo profissionais da área de moedas, o mercado se ressente de dólares e está tentando pressionar o Banco Central a retirar algumas medidas restritivas à entrada de capital externo. Além disso, com a proximidade do fim do mês, o mercado está mais especulativo devido à rolagem dos contratos futuros de dólar.

A Bovespa, por sua vez, operou totalmente na contramão do exterior, onde alguns indicadores positivos dos Estados Unidos trouxeram alívio momentâneo aos mercados globais. Por aqui, no entanto, a queda superior a 25% dos papéis ordinários da OGX fez o Ibovespa terminar em 53.108,93 pontos, com perda de 1,35%. A justificativa para o comportamento da empresa de Eike Batista no pregão foi a decepção com que os investidores receberam o anuncio sobre a operação do campo de Tubarão Azul e o consequente rebaixamento do preço-alvo dos papéis. A empresa informou na noite de terça-feira que, depois de aproximadamente cinco meses de operação do Teste de Longa Duração (TLD), definiu a vazão ideal de 5 mil barris de óleo equivalente por dia para cada um dos dois primeiros poços. O número é muito aquém do esperado pelo mercado.

Nos juros futuros, a reação dos investidores ao pacote de estímulos às compras governamentais no total de R$ 8,4 bilhões e ao corte da taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), de 6% para 5,5% e que deve ser confirmada hoje, foi morna e as taxas curtas e intermediárias ficaram de lado. Tudo porque, na visão dos agentes, o plano é insuficiente para estimular a demanda a um patamar que altere a atual política de afrouxamento monetário.

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