BC intervém e dólar cai para R$2,055, o menor nível em um mês e meio

Após três leilões promovidos pelo Banco Central, moeda dos EUA desvaloriza 1,06%, a maior queda diária desde o início de agosto

SILVANA ROCHA, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2012 | 02h06

A volta do feriado de Natal foi agitada ontem no mercado de câmbio. Com três leilões quase seguidos - um de linha e dois inesperados de swap cambial -, o Banco Central conduziu o dólar para o patamar de R$ 2,05. Após abrir em queda, a R$ 2,071 (-0,29%), a moeda à vista no balcão fechou a R$ 2,0550, em baixa de 1,06%. Trata-se da maior queda diária desde 3 de agosto de 2012 (quando o dólar caiu 1,07%) e do menor preço da moeda desde 12 de novembro (quando terminou a R$ 2,0520).

Na BM&FBovespa, o dólar à vista encerrou a R$ 2,0515, em queda de 1,18%. Já o contrato de dólar com vencimento em 1º de janeiro de 2013 recuava 1,18%, para R$ 2,0540 às 16h52.

Para hoje, a autoridade monetária já anunciou outra oferta de linha, das 9h30 às 9h35, de até US$ 2 bilhões, para recompra em 1º de fevereiro de 2013. Neste caso, a taxa de venda dos dólares será de R$ 2,0569 e a taxa de corte para recompra, de R$ 2,068310 ou valor mais favorável ao BC.

As intervenções praticamente diárias no mercado de câmbio neste mês garantiram até hoje uma queda acumulada do dólar de 3,39%. Em 30 de novembro, a moeda estava em R$ 2,1270.

Preocupados com o aumento esperado da demanda por dólares no último mês do ano, para operações estratégicas de proteção (hedge) ou para remessas corporativas de lucros e dividendos ao exterior, e com o impacto de uma desvalorização do real sobre a inflação, o BC e o governo vêm agindo preventivamente.

Desde o começo do mês foram ampliadas as declarações de autoridades em defesa de um câmbio mais equilibrado que não ameace a inflação, mas que favoreça a indústria, os exportadores e os investimentos. A fim de evitar que o fluxo comercial negativo se amplie, o BC e a Fazenda também reverteram pelo menos três medidas cambiais que restringiam os ingressos de recursos estrangeiros no País. Além disso, foram intensificados os leilões de linha e de swap cambial.

Os agentes financeiros já esperavam desde sexta-feira a realização ontem cedo de uma oferta de linha de até US$ 2 bilhões para recompra em 1º de março de 2013. Mas se surpreenderam com o anúncio, na sequência, de dois leilões de swap cambial tradicional - equivalente à venda de dólar no mercado futuro. O BC não fazia esse tipo de leilão desde 3 de dezembro.

Atuação."O BC quer o dólar em torno de R$ 2,05, já que o mercado estava muito calmo e não haveria necessidade dele atuar", disse o superintendente de câmbio da Advanced Corretora, Reginaldo Siaca.

Na avaliação do mercado, o BC intensificou sua atuação com receio de impacto mais forte do câmbio nos preços no ano que vem. A inflação ainda tem rodado em patamares elevados e há fatores que podem pressionar ainda mais 2013, como um aumento de preços de combustíveis.

"O BC viu que o câmbio perto de 2,10 é nefasto para a inflação, tendo em vista que volume de importações brasileiras é elevado", disse o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros.

Em dezembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial no país, subiu 0,69%, maior avanço desde maio de 2011 (+0,70 %), ante alta de 0,54 % em novembro. Com isso, fechou o ano com avanço de 5,78 %, acima do centro da meta do governo, de 4,5 por cento pelo IPCA.

O governo já vinha tomando medidas que facilitam a entrada de dólares no país, além do BC ter realizado uma série de leilões de venda de dólares conjugados com compra nos últimos dias. Esses leilões, chamados de "leilões de linha" dão maior liquidez para o mercado no final do ano, período que costuma ter maior escassez de dólares./ COLABOROU A REUTERS

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