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BC já resgatou US$ 20 bi de crédito vendido a exportador

Banco Central havia disponibilizado US$ 24,4 bilhões para aliviar os efeitos da crise mundial de crédito

Adriana Chiarini, O Estadao de S.Paulo

11 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse ontem que, dos US$ 24,4 bilhões vendidos pelo banco a exportadores como medida contra os desdobramentos da crise mundial, US$ 20 bilhões (cerca de 82%) já foram resgatados. Meirelles previu ainda que "proximamente" o crédito dos bancos privados pequenos e médios mostrará crescimento ante setembro do ano passado, quando o banco americano Lehman Brothers pediu concordata e a crise entrou na pior fase. O crédito dos bancos privados pequenos e médios caiu 1,5% de setembro de 2008 a junho deste ano. No entanto, a queda já foi maior e tem se reduzido nos últimos meses. Meirelles não chegou a dizer para quando espera a troca para um sinal positivo do porcentual. "Vamos esperar os dados de julho", desconversou, após receber a medalha do Mérito Industrial da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Desde setembro, o crédito dos bancos públicos aumentou 25,2%, por causa da política anticíclica, e o crédito dos bancos privados de grande porte cresceu 9,8%. Meirelles também afirmou que dos US$ 14,5 bilhões que o BC vendeu no mercado à vista para instituições financeiras, já foram recuperados US$ 8,2 bilhões. Ele lembrou a atuação do BC no mercado de derivativos, onde no momento o banco "está zerado". Segundo Meirelles, pela primeira vez numa crise o BC brasileiro estava em condições de baixar juros, numa atitude anticíclica. Ele afirmou que a taxa de juros real está em 4,9%. É o mínimo histórico, assim como a taxa nominal, a Selic, em 8,75%. Em palestra, lembrou que a produção de automóveis em julho caiu um pouco "em função do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), que antecipou as vendas". Segundo ele, a redução divulgada ontem pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) "é normal". O Brasil, em sua opinião, está saindo da crise "sem deteriorar suas estruturas financeiras e monetárias"."Não há dúvida de que políticas responsáveis em todas as áreas têm de ser mantidas para que a credibilidade do País continue a prevalecer." Perguntado sobre o aumento de gastos públicos correntes, respondeu que esse dado é incorporado nas projeções de inflação do BC, assim como outros, como a evolução da arrecadação e dos investimentos. "Existe sim um efeito disso nas projeções de inflação do BC que já estão incorporadas nos números divulgados, principalmente nas últimas atas do Copom e certamente isso ficará mais detalhado no relatório de inflação de setembro."

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