BC leiloa US$ 1 bi em swap e dólar fica estável

Intervenção do Banco Central para conter a valorização do real faz cotação da moeda americana fechar o dia a R$ 1,672, com quede de apenas 0,06%

Fabio Graner, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2011 | 00h00

O Banco Central (BC) atuou agressivamente no mercado de câmbio para conter a valorização do real em relação ao dólar. Além de dois leilões de compra de moeda estrangeira no mercado à vista - o primeiro deles realizado mais cedo que o habitual -, o BC vendeu quase US$ 1 bilhão em swaps cambiais reversos, instrumento financeiro que equivale à compra de dólares no futuro.

Com a artilharia utilizada pela autoridade monetária, a moeda americana fechou o dia cotada a R$ 1,672, praticamente estável (queda de 0,06%) na comparação com a véspera. O maior intervencionismo do Banco Central ocorre já sob um ambiente de taxa de juros mais altas - que devem continuar subindo nos próximos meses -, o que representa um fator de atração de dólares para investimento em renda fixa.

Afinal, mesmo com a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre essas aplicações, o processo de alta da taxa básica de juros (Selic) amplia o interesse de investidores externos no País.

Além disso, o momento internacional tem se mostrado favorável à captação de recursos externos por empresas brasileiras, como a emissão de US$ 6 bilhões pela Petrobrás, em bônus de até 30 anos.

Pouca eficácia. Para o ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas, o uso de swaps reversos pela autoridade monetária não vai conseguir alterar a tendência do dólar.

Segundo ele, a combinação de excesso de oferta de dólares no mundo - por causa dos juros baixos e pela política de emissão de moeda nos Estados Unidos - e a avaliação do mercado de que o Banco Central brasileiro terá de subir os juros mais do que se antecipava estimulam a valorização do real no futuro, tornando pouco eficaz o uso de swaps no médio prazo.

"Essas operações não são importantes para evitar queda do dólar. De fato, elas podem reduzir a queda no momento, mas não mudam a trajetória, apenas reduzem a volatilidade, evitam uma queda forte", disse.

Freitas explicou que mais eficiente no combate à tendência de valorização no prazo mais longo será o uso de uma política mais curta, embora mais agressiva, de alta nos juros pelo BC.

O economista sênior do BES Investimento, Flávio Serrano, também avalia que a atuação do governo tem eficácia limitada, afetando apenas o curto prazo. "De fato, essa postura não altera a tendência da moeda. Apenas piora as condições de mercado", disse Serrano.

Na segunda-feira, o Banco Central fará novo leilão de swaps cambiais reversos, quando ofertará ao mercado mais US$ 1 bilhão.

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