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BC mantém estimativa de expansão de 3,5%

Governo temia uma revisão para baixo, diante do desempenho ruim da indústria

ADRIANA FERNANDES, FERNANDO NAKAGAWA, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2012 | 03h09

Às vésperas do anúncio de mais um pacote de medidas de estímulo ao crescimento pelo governo, o Banco Central preferiu manter a previsão crescimento de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano.

Embora a projeção do BC esteja ainda bem distante dos 4,5% prometidos pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, a manutenção da previsão no mesmo patamar da estimativa projetada em dezembro de certa forma dá um alívio à equipe econômica.

Nos bastidores da área técnica da equipe econômica, há o entendimento de que a economia atualmente gira em ritmo abaixo de 3,5% ao ano. Essa percepção é sustentada especialmente pelo frustrante desempenho da indústria. Diante desse quadro nada animador, causou alívio à equipe ver que a previsão do BC não foi alterada para pior, para uma taxa menor de crescimento, por exemplo.

Para o governo, revisar o número para baixo agora poderia gerar uma nova onda de pessimismo em torno da capacidade de crescimento da economia. O medo da equipe econômica era de que o pessimismo voltasse à tona e fizesse o empresariado abortar investimentos.

PIB. Esse mesmo quadro desalentador levou o ministro Mantega a acelerar o anúncio de novas medidas para incentivar a atividade econômica. Quando o BC previu em dezembro o crescimento de 3,5% para este ano, o cenário era outro. Esperava-se uma expansão econômica de 3% no ano passado, mas o resultado final foi de 2,7%. Ou seja, desempenho pior.

Além disso, o BC previa uma retomada mais rápida do crescimento nesses primeiros meses do ano, o que não foi confirmado até agora.

O crescimento mais fraco da economia do que o estimado anteriormente tem reforçado as apostas do mercado financeiro de que o Copom fará na próxima reunião do Copom, de abril, mais um corte de 0,75 ponto porcentual, levando logo a taxa Selic para 9% - o piso que o BC fixou para a queda juros na última ata. A dose maior de queda dos juros em abril pode gerar efeitos no crescimento ainda esse ano, como quer o Ministério da Fazenda. Mas apesar dessa expectativa, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton, rechaçou a avaliação de muitos economistas de que o Copom hoje trabalha com uma meta de inflação e outra de crescimento.

"O foco da política monetária foi e continuará sendo a inflação. É claro que o cenário para atividade é levado em conta", ponderou. No relatório de inflação, o BC afirma que apesar de os efeitos da política monetária serem normalmente, observados ao longo do tempo, algumas medidas geram "algum efeito imediato".

Para Hamilton, a confiança do empresário industrial tem se recuperado.

Outro fator para o crescimento industrial é o crédito. "Trabalhamos com um cenário de recuperação da indústria neste ano. Com atividade industrial mais forte que no ano passado", disse. Apesar da avaliação otimista, o diretor do BC reconheceu a fragilidade da indústria. Ele alerta para o risco da desaceleração da China, mas destaca o crescimento do mercado interno.

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