BC mantém projeção de crescimento de 3,5% do PIB

O Banco Central manteve no relatório de inflação divulgado hoje a projeção de 3,5% de crescimento do Produto Interno Bruto em 2004. Essa é a mesma projeção estimada nos dois últimos relatórios de inflação. De acordo com o BC, a evolução do PIB no primeiro trimestre do ano e o desempenho recente dos indicadores setoriais e de demanda mostraram-se consistentes com a estimativa de expansão do PIB de 3,5% em 2004. O BC destaca que o resultado dessazonalizado do PIB no primeiro trimestre (1,6% ante o quarto trimestre de 2003) requer uma taxa linear de crescimento de 0,6% ao trimestre, para que a projeção de 3,5% de expansão seja alcançada. O BC estima um crescimento de 4,9% para o setor industrial e de 4% para o setor agropecuário em 2004. A previsão de crescimento do setor de serviços é menor: 2,2%. Segundo o relatório, o crescimento de 4,9% projetado para a indústria está associado à continuidade da expansão das exportações e à recuperação da demanda interna, que vem sendo observada desde o final de 2003.A indústria de transformação vai puxar o crescimento do setor com uma expansão prevista pelo BC de 6,1%, seguida pela construção civil (3,6%), serviços industriais de utilidade pública (3%), e industria extrativa mineral (2,4%). No relatório de inflação de março, a projeção de crescimento do PIB do setor industrial era menor, de 4,5%, e do setor de serviços maior, de 2,3%. O BC reduziu de 5,2% para 4% a projeção de crescimento do PIB do setor agropecuário. Essa queda, explicou o BC, reflete a quebra na safra de soja e da redução das estimativas de crescimento para as colheitas de milho e feijão. "Como fatores positivos, permanecem a safra favorável de café e a continuidade do dinamismo da produção pecuária", diz o relatório. Recuperação de atividadeO Relatório de Inflação do segundo trimestre divulgado pelo Banco Central afirma que as perspectivas de retomada sustentada do nível de atividade econômica permanecem favoráveis. "Essa recuperação é compatível com o cumprimento das metas de inflação estabelecidas, dado que vários dos setores que lideram o crescimento ainda contam com capacidade ociosa que pode ser utilizada para atender à maior demanda, sem exercer pressões sobre os preços", diz o texto do documento distribuído pelo BC, em tom semelhante ao da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) dos dias 15 e 16 de junho divulgada na semana passada. O texto acrescenta que uma evidência maior de que isto já estaria ocorrendo é o recuo das taxas de inflação nos primeiros meses do ano. "Os dados de preços para o segundo trimestre de 2004 permitem verificar a redução das taxas de inflação observadas no início do ano, em trajetória consistente com as metas estabelecidas, a despeito da recuperação do nível de atividade", afirma o Relatório de Inflação. Nesse contexto, o documento do BC ressalta que a inflação medida pelo IPCA do segundo trimestre do ano poderá ficar abaixo da do primeiro. "Caso o IPCA varie 0,52% no mês de junho, como esperado pelas cinco instituições de melhor desempenho nas previsões de curto prazo, de acordo com Relatório de Mercado da Gerin de 11 de junho de 2004, a inflação acumulada no segundo trimestre de 2004 será de 1,43%, inferior ao valor de 1,85% observado no primeiro trimestre", diz o Relatório de Inflação. Volatilidade tende a se dissipar O Relatório de Inflação afirma que a volatilidade causada pela incerteza da trajetória dos juros nos Estados Unidos tenderá a se dissipar no médio prazo. "A instabilidade observada nas últimas semanas está longe de se configurar como um quadro de crise, tanto devido ao caráter passageiro de suas causas principais, quanto graças aos sólidos fundamentos da economia brasileira", afirma o texto do Relatório de Inflação. Como o texto da ata da reunião do Copom, o documento divulgado hoje pelo BC também procura minimizar as preocupações com relação ao preço do petróleo no mercado internacional e ao crescimento econômica da China.

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