BC: matérias-primas são principal risco para inflação

O Relatório de Inflação do Banco Central afirma que o principal risco inflacionário, no cenário externo, ainda está relacionado ao comportamento dos preços das matérias-primas (commodities). "Esse risco arrefeceu, embora a perspectiva para a evolução dos preços das commodities nos mercados internacionais, inclusive petróleo, ainda se apresente envolta em incerteza", afirma a autoridade monetária.

FABIO GRANER E RENATA VERÍSSIMO, Agencia Estado

29 de junho de 2011 | 11h50

O BC avalia que, desde o último relatório em março, consolida-se a visão de que são reduzidas as chances de haver nova rodada de ações monetárias não convencionais, que são vistas como elemento de apoio para a escalada recente dos preços das commodities nos mercados internacionais, e aumentaram as preocupações com a possibilidade de desaceleração da atividade econômica na China. Por outro lado, nesse período, aumentou a aversão ao risco nos mercados financeiros internacionais, um desenvolvimento com repercussões baixistas sobre os preços de ativos domésticos.

Segundo o documento, a elevação de preços no atacado e a dos preços administrados influenciaram desfavoravelmente a dinâmica da inflação ao consumidor de janeiro a maio deste ano. "De fato, as evidências sugerem que há estreita relação entre a aceleração de preços no atacado nos meses finais de 2010 e iniciais de 2011 com a dos preços das commodities no mercado internacional", ressalta. Por isso, o BC entende que grande parte do efeito direto da elevação dos preços das commodities já foi incorporada aos preços ao consumidor.

No entanto, ainda é significativa a elevação dos preços das commodities e dos preços no atacado no acumulado em 12 meses e os impactos remanescentes representam um risco presente para a inflação ao consumidor.

O BC acredita que os produtos importados tendem a continuar a arrefecer as pressões inflacionárias domésticas. Em primeiro lugar, porque competem com produtos produzidos domesticamente e, assim, impõem maior disciplina aos formadores de preços. Os produtos comprados no mercado externo ainda reduzem a demanda nos mercados de insumos domésticos e, dessa forma, contribuem para o arrefecimento de pressões de custos e, por conseguinte, de seus eventuais repasses para os preços ao consumidor.

O relatório afirma que, o cenário prospectivo externo contempla moderação no ritmo de recuperação da atividade econômica global e na dinâmica dos preços das commodities. Do lado interno, embora as projeções de inflação ainda indiquem dinâmica para a inflação menos benigna do que a constante do último Relatório de Inflação, o balanço de riscos mostra sinais mais favoráveis para o cenário prospectivo, em ambiente de moderação da atividade econômica.

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