BC melhora previsão para saldo comercial

Apesar da provável queda nas exportações de carne, governo mantém otimismo e projeta um saldo de US$ 51 bi para a balança comercial

Fernando Nakagawa, Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2017 | 23h48

BRASÍLIA - Mesmo diante da reação internacional negativa à Operação Carne Fraca, o Banco Central (BC) segue otimista com as perspectivas do comércio exterior e aumentou a previsão de saldo positivo na balança comercial em 2017 em 16%, para US$ 51 bilhões. Ao minimizar a crise nos frigoríficos, o BC lembra que as carnes representam cerca de 6% das exportações e eventual impacto negativo tende a ser compensado pelo recente aumento do preço das commodities.

As novas projeções apresentadas pelo BC indicam a previsão de que o Brasil exportará US$ 200 bilhões neste ano. O valor é maior do que a estimativa anterior – de US$ 195 bilhões, anunciada em dezembro de 2016 – e indica a aposta de que os embarques internacionais aumentarão US$ 15,5 bilhões na comparação com 2016.

Questionado sobre a precisão do cenário após a crise da carne, o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha, explicou que “em termos qualitativos, essa operação (Carne Fraca) não modifica as projeções”. O técnico argumentou que, enquanto o BC prevê exportações totais de US$ 200 bilhões, o volume embarcado de carne e derivados não alcançou sequer US$ 12 bilhões em 2016.

“Trata-se de um setor relevante, mas a pauta brasileira de vendas ao exterior é variada. Então, essas operações não impactam qualitativamente a projeções feitas pelo BC”, disse.

Commodities. Alheio à carne, o cenário otimista do BC tem como principal premissa a alta na cotação das commodities, agrícolas e minerais, exportadas pelo Brasil. “Os termos de troca do País aumentaram 20% em fevereiro de 2017 na comparação com um ano atrás. Esse ganho de preço se traduz em aumento do valor exportado”, disse Rocha. O técnico comentou que também há aumento de volumes exportados, mas o efeito preço se sobrepõe.

Importante item para o Brasil, o minério de ferro é o símbolo dessa nova onda de alta de preços no mercado externo. Atualmente, o mercado à vista indica tonelada negociada perto de US$ 85. O preço saltou mais de 40% na comparação com o visto há apenas cinco meses, quando girava perto de US$ 60.

Transações correntes. Com a esperada retomada da economia, o BC prevê que o Brasil comprará mais serviços do exterior e crescerá o volume de remessas de lucros e dividendos das multinacionais. Por isso, apesar dos bons números da balança comercial, foi elevada a previsão de déficit nas contas externas em 2017, de US$ 28 bilhões para US$ 30 bilhões.

Esse aumento do déficit é resultado especialmente da balança de serviços. A expectativa no saldo negativo em transportes internacionais subiu 30%, para US$ 5,2 bilhões.Com a economia melhor, também cresceu em 12,4% a expectativa de remessa de lucros por multinacionais, para US$ 26,5 bilhões.

Apesar da previsão de déficit, o BC ressalta a aposta de que o déficit externo continuará sendo integralmente financiado pelo Investimento Direto no País, que deve alcançar US$ 75 bilhões no ano.

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