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BC mostrará que não é autônomo se subir juro, diz analista

Para Miguel Daoud, é preciso subir a Selic para conter a inflação, mas decisão do BC pode indicar pressão política

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

17 de abril de 2013 | 17h36

SÃO PAULO - Adepto não só da elevação, mas de uma pancada ao redor de 3 pontos porcentuais na taxa básica de juros (Selic) no decorrer de um possível ciclo de alta, o economista e sócio-diretor da Global Financial Advisor, Miguel Daoud, entende que se o Copom elevar a taxa nesta quarta-feira, 17, após as falas do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e da presidente da República, Dilma Rousseff, vai mostrar que não tem autonomia.

Para Daoud, em face da elevada taxa de inflação - em março o IPCA em 12 meses bateu em 6,59%, furando o teto da meta de 6,50% -, a taxa de juro de referência da economia brasileira deveria estar em torno de 10%. Contudo, diz ele, elevar a Selic agora seria uma demonstração de que o BC não atua de acordo com suas convicções. "Pelo Relatório Trimestral de Inflação, o BC dá a entender que não aumentaria os juros agora", ressalta o economista.

Ontem, em Belo Horizonte, na véspera da reunião do Copom, que acontece hoje, a presidente Dilma disse que "qualquer necessidade de aumento de juro para combate à inflação hoje em dia será possível fazer em um patamar bem menor do que na época em que o País convivia com taxas mais altas." O foco do mercado não foi para o fato de a presidente ter feito menção a um eventual de juro menor que no passado, mas no fato de ela já estar admitindo aumento, ressalta Daoud.

A sensação de que o juro básico poderá ser elevado - atualmente encontra-se em 7,25% ao ano - já vem desde a sexta-feira passada, quando o ministro Mantega, durante o seminário "Rumos da Economia - Nosso Modelo de Crescimento", em São Paulo, disse que o governo não titubearia em adotar medidas impopulares, como aumento de juros, para conter a inflação.

"Os ruídos estão tão fortes que o mercado não sabe muito bem ao certo o que vai acontecer", diz Daoud, ressaltando que independente do que o Copom vir a fazer, sua opinião ainda é a de que a taxa de juro precisa ser elevada. Isso porque, de acordo com ele, parte da inflação corrente é fruto da disponibilidade no mercado de um dinheiro que deveria estar aplicado e só não está porque com a taxa de juro baixa os poupadores estão recebendo uma remuneração baixa.

"Portanto, se o BC aumentar a Selic, ele enxugará parte da liquidez do mercado à medida que parte destes recursos voltará para as aplicações", disse Daoud, ressaltando que só discorda da possibilidade de o Copom poder agir por pressão política do que por suas próprias convicções.

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