BC não cobrirá rombos de bancos quebrados

O Banco Central (BC) decidiu que não vai mais cobrir o rombo dos bancos que quebrarem e que não causem risco sistêmico ao mercado financeiro com recursos públicos. Um voto aprovado hoje pela diretoria do BC estabelece que os bancos que forem liquidados não poderão mais fazer saques a descoberto em sua conta de reservas bancárias, que funciona como uma espécie de conta-corrente que as instituições financeiras têm junto ao BC. Para isso, o BC vai estornar toda a compensação feita na madrugada anterior à liquidação do banco e o prejuízo será dividido entre os credores da instituição. A decisão já foi colocada em prática hoje mesmo, quando o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Interior de São Paulo. A nova regra, entretanto, não valerá de forma uniforme para todos os bancos. De acordo com o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, se um banco de grande porte estiver quebrado e precisar ser liquidado, a diretoria fará uma análise sobre o caso para saber se o prejuízo será pago pelo contribuinte ou dividido entre os credores do banco. O critério que vai definir se o banco poderá ficar com as reservas no vermelho é o risco sistêmico, mesmo conceito utilizado pelo BC para justificar o salvamento dos bancos Marka e FonteCindam durante a desvalorização cambial e que está sendo alvo de investigações pelo Ministério Público. Essa alteração só valerá na prática até o início de agosto, quando começará a funcionar o novo sistema de pagamentos do BC, que transfere para os bancos a cobertura dos rombos no mercado financeiro, sem diferenciar as instituições por tamanho ou risco sistêmico.

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