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BC não considera mercado de trabalho robusto, diz Schwartsman

Ex-diretor do Banco Central avalia que as projeções da autoridade monetária para a inflação não são compatíveis com o aquecimento da economia no decorrer dos próximos meses

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

29 de março de 2012 | 15h24

São Paulo - As projeções para o IPCA no relatório de inflação de março do Banco Central, especialmente para este ano, não são compatíveis com o aquecimento da economia no decorrer dos próximos meses, especialmente no segundo semestre, quando o PIB deve crescer de 4,5% a 5% em termos interanuais, comentou o ex-diretor do BC Alexandre Schwartsman.

"Aparentemente, o aperto do mercado de trabalho motivado pela aceleração do nível de atividade neste ano não está sendo levado em consideração pelos modelos econométricos do BC, embora essa questão tenha sido abordada no texto do relatório", comentou. Segundo o economista, um reflexo da melhora do PIB neste ano, que deve crescer 3,5% ante 2,7% em 2011, será a redução da taxa média do desemprego, que para ele deve baixar de 6% no ano passado para 5,5% em 2012.

"Não há condições para que o IPCA atinja 4,4% neste ano como aponta o relatório de inflação de março", destacou. Ele espera que o IPCA suba 5,5% em 2012 e continue em alta em 2013, quando deve encerrar o ano com elevação de 6%. "A prioridade do Banco Central é viabilizar crescimento e não é levar a inflação para meta. Para o BC, se a inflação ficar abaixo de 6,5% já está bom" , destacou.

Para Schwartsman, foram corretas as manifestações detalhadas no relatório de inflação sobre os riscos que o mercado de trabalho robusto pode trazer para a estabilidade de preços no País. Ele destaca que, em dois parágrafos na página 84, o BC chama a atenção tanto para o perigo das negociações salariais "atribuírem peso excessivo à inflação passada" bem como para a "margem estreita de ociosidade" de mão de obra no País.

Na opinião do ex-diretor do BC, duas hipóteses complementares podem explicar por que a taxa de desocupação, medida pela Pesquisa Mensal de Emprego, vem caindo nos últimos meses apesar de o PIB ter registrado um desempenho muito fraco no segundo semestre de 2011. Uma delas é que a produtividade do trabalho deve ter baixado de forma expressiva no País. Uma outra suspeita é que as empresas preferiram não demitir funcionários mesmo com o declínio do nível de atividade no ano passado, pois tinham a perspectiva de que a economia voltaria a ganhar tração em 2012.

"Com a retomada da economia, especialmente no terceiro e quarto trimestres de 2012, devem crescer as contratações pelas empresas. Isso deve ampliar as pressões sobre a inflação no segundo semestre, o que deve ajudar muito a levar o IPCA a fechar este ano com um ponto porcentual a mais de inflação do que o indicado pela meta de 4,5%", ponderou o ex-diretor do BC.

Na opinião de Schwartsman, o quadro externo melhorou em relação ao cenário apresentado no fim do ano passado, quando foi divulgado o relatório de inflação de dezembro. Para ele, não tem consistência a postura do BC de manifestar que persistem os riscos elevados de a crise internacional atingir o Brasil, com um impacto de um quarto do registrado sobre o PIB do País durante a recessão global de 2008/2009.

Segundo o ex-diretor do BC, a página 82 do relatório de inflação de março cita que dados dessazonalizados do Netherlands Bureau of Economic Policy Analysis (CPB) apontam que as importações mundiais cresceram apenas 0,3% do começo do segundo trimestre até o encerramento do quarto trimestre de 2011, bem abaixo da média histórica de 1,5% apurada de 1991 a 2011. "Contudo, já há uma recuperação desse indicador, pois deve apresentar uma expansão ao redor de 1,4% num horizonte que vai do início do terceiro trimestre de 2011 ao fim de março de 2012", destacou.

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