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BC não descarta redução do preço da gasolina em 2009

Ata do Copom destaca que a redução dos preços do petróleo pode influenciar outros preços da economia

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, da Agência Estado,

18 de dezembro de 2008 | 12h33

Os preços dos combustíveis poderá cair em 2009. De acordo com a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta-feira, 18, esta hipótese não é descartada, já que os preços do petróleo caíram "de forma expressiva" desde outubro. Os membros do Comitê, contudo, lembram que há muita incerteza sobre o comportamento dos preços nesse mercado. Além de não descartar essa hipótese, a ata destaca ainda que a redução dos preços internacionais do petróleo "pode eventualmente" influenciar os preços da economia doméstica - tanto pelas cadeias produtivas como a petroquímica, quanto pelo efeito potencial sobre as expectativas de inflação. O documento ainda observa que os preços de outras matérias-primas (commodities) também apresentaram reduções desde a última reunião em outubro. Essa queda, na avaliação do Copom, é uma reação às expectativas de crescimento econômico mundial menor e à continuidade da turbulência nos mercados financeiros globais. Produção foi cortada, mas preço caiu Na quarta-feira, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) anunciou um corte histórico de 2,2 milhões de barris diários em sua cota de produção, volume superior à produção brasileira de petróleo, na casa dos 1,9 milhão de barris por dia. A medida vale a partir de 1º de janeiro, e o cartel deve diminuir sua parcela oficial de produção até 24,845 milhões de barris diários. É o maior corte feito de uma só vez pela Opep, superior à marca de março de 1999, quando o barril caiu a menos de US$ 10. A mensagem, aliada a reduções da Rússia e Azerbaijão, deve fazer a oferta mundial da commodity cair 3,25%. A 151ª conferência ministerial da Opep terminou com a decisão, cujo objetivo é aumentar os preços internacionais do petróleo. Os países-membros que participam do sistema de cotas se comprometeram a "assegurar que sua produção será reduzida nas quantidades individuais pactuadas" para cumprir com a cota rebaixada em 8,05%. Para isso, cada país deverá bombear 14,46% a menos que em setembro, antes de entrar em vigor a redução de 0,5 milhão de barris diários estipulada naquele mês e a de 1,5 milhão de barris diários de 24 de outubro. Os ministros tomaram como base de cálculo a produção real de setembro, de 29,04 milhões de barris diários. A redução decidida ontem superou a expectativa do mercado, que esperava um corte máximo de 2 milhões de barris diários. Moscou enviou à reunião uma delegação de alto nível, chefiada pelo vice-primeiro-ministro Igor Sechin. Ele anunciou que o barateamento do petróleo provocou queda de cerca de 320 mil barris diários nas exportações das petrolíferas russas. Já o Azerbaijão prometeu que vai retirar do mercado outros 300 mil barris diários.  "O impacto da grave queda da economia global levou a uma destruição da demanda (petrolífera) com o resultado de uma pressão em baixa sem precedentes sobre os preços, que caíram mais de US$ 90 por barril desde o início de julho de 2008", destacaram os ministros da Opep em sua declaração final. Eles advertiram ainda sobre o risco de que os preços continuem a cair e ameacem os investimentos necessários para garantir a segurança energética no médio e longo prazos. O presidente em exercício da organização e ministro da Energia da Argélia, Chakib Khelil, não descartou a possibilidade de que o corte decidido ontem seja insuficiente. Espera-se uma queda da demanda mundial de petróleo nos próximos dois trimestres, que vai dependerá de fatores incertos, como a evolução econômica e o clima. Em queda Apesar do corte decidido pela Opep, os contratos futuros de petróleo caíram ontem a menos de US$ 40 por barril na New York Mercantile Exchange (Nymex) e na ICE Futures, antes de fecharem no nível mais baixo dos últimos quatro anos e meio. Na Nymex, os contratos de petróleo para janeiro caíram US$ 3,54, ou 8,12%, para US$ 40,06 por barril - o menor nível desde 13 de julho de 2004. Incluindo as transações do sistema eletrônico Globex, a mínima foi de US$ 39,89 e a máxima de US$ 45,50. Na ICE Futures, os contratos de petróleo Brent para fevereiro cederam US$ 1,12, para US$ 45,53 por barril.

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