BC não intervirá no mercado de câmbio, diz Bevilaqua

O diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Affonso Bevilaqua, refutou, nesta quinta-feira, a tese de que o BC tenha qualquer política de intervenção no mercado de câmbio com o objetivo de manter o nível adequado para o preço do dólar. Segundo ele, não existe qualquer contradição entre a política monetária implementada pelo BC de compras eventuais no mercado de câmbio, com vistas a formação de reservas. "Ao exercermos o papel de controle da inflação por meio da política monetária, estamos também recompondo reservas" , disse ressaltado que a grande preocupação do BC é tentar " não adicionar volatilidade na taxa de câmbio, mostrando sempre que o BC não tem outro objetivo, se não o da política monetária". Crescimento Bevilaqua confirmou ainda as expectativas do BC de um crescimento de 4% para a economia brasileira neste ano, com a trajetória descendente para a inflação. "Não será um ano de inflação X crescimento. Será um ano de inflação baixa e de crescimento alto", completou, após realizar palestra no 9º Seminário Perspectiva da Economia Brasileira, promovido pela Consultoria Tendências. De acordo com o diretor do BC, os dados mais recentes da produção industrial confirmam que a economia continuará crescendo, sustentada por uma expansão da demanda, que por sua vez está sendo desencadeada com um aumento contínuo da massa salarial e da renda do brasileiro. "O comportamento das vendas industriais e da produção sugerem que o aumento na produção industrial deverá permanecer nos próximos meses. Do lado da demanda não temos nenhuma dúvida de que haverá sustentação para este processo de aceleração do crescimento", disse, ressaltando que o desemprego está nos níveis mais baixos desde o início da série medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "A criação de emprego no setor formal tem continuado a taxas bem significativas. Em 2005, tivemos o dobro do crescimento de 2004 (da massa salarial), e a expectativa é de que este crescimento continue em 2006 a taxas bem saudáveis", afirmou. Bevilaqua ainda disse que concretizado o crescimento de 4% este ano, o País terá experimentado a mais alta taxa de crescimento da economia em período recente. "Teremos tido um crescimento médio de 3,7%, o dobro do crescimento de 99 a 2003", salientou. Reviravolta O diretor completou que não existem no cenário traçado pelo BC expectativas para qualquer reviravolta na trajetória do crescimento da economia mundial. "Embora se antecipe para os próximos anos uma certa regressão destas condições excepcionalmente favoráveis na economia internacional, não está se antevendo nenhuma mudança significativa deste cenário", afirmou. Para Bevilaqua, "o cenário vai deixar de ser excepcional, para provavelmente se tornar um cenário bom, ou muito bom nos próximos anos". O diretor do BC ainda fez questão de ressaltar as melhoras observadas nos fundamentos da economia brasileira que permitirão na visão dele, um enfrentamento de qualquer turbulência externa, caso isto ocorra, sem grande danos para a economia local. Ele garantiu ainda que a instituição será firme com o controle da inflação, caso haja qualquer mudança mais brusca na economia internacional. "Se estas turbulências, por ventura, tiverem alguma interferência no nosso cenário para a inflação, o Banco Central vai tomar as medidas adequadas para que a inflação continue convergindo para as metas", concluiu.

Agencia Estado,

06 Abril 2006 | 14h44

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