BC não mexe na política de juros no curto prazo, prevê economista

Somente depois de elevar a Selic mais 0,5 ponto porcentual em fevereiro e mais meio ponto em março é que o Banco Central manterá a taxa de juros básica no mesmo nível até maio ou junho, quando poderá começar a ser desenhada uma trajetória de queda. A previsão foi feita pelo economista Roberto Padovani, diretor da Tendências Consultoria, em entrevista ao Conta Corrente, da "Globo News".Segundo Padovani, o BC ainda possui uma desconfiança em relação ao ritmo da atividade industrial, além de uma preocupação com o nível de preços. "Há, de fato, uma preocupação com o comportamento da inflação. Não vejo motivos para, no curto prazo, o banco reverter essa situação." O economista se disse surpreso com o tom da ata do Copom em janeiro, pois, de acordo com cálculos estatísticos feitos pela Tendências, a manutenção dos juros em 17,75% "por um certo período de tempo" seria suficiente para jogar a inflação a 5,1%, meta estipulada para este ano. Ele acredita que, até o momento, o BC consegue atingir a meta inflacionária, mas alertou para dois pontos de tensão que podem virar obstáculos, como um possível aumento nas tarifas de ônibus na Capital paulista e nova alta de commodities, principalmente as metálicas.A estratégia do Banco Central ao ter realizado, na terça-feira à noite, o leilão de "swap" cambial inverso - por meio do qual o banco passou a pagar a variação de juros e não do câmbio até o vencimento do papel - é reduzir a volatilidade do dólar e não fixar um patamar de câmbio, segundo Roberto Padovani. "Há, sim, o interesse em evitar apreciações ou depreciações em um período muito curto. Nesse sentido, a atuação do BC nos mercados futuros contribui para cortar um canal adicional de oferta de câmbio nos mercados à vista, que é justamente a operação de se comprar dólares no mercado futuro e vendê-los no mercado à vista", analisou. Com esse mecanismo, Padovani mostrou, o BC procura reduzir o excesso de liquidez cambial e, conseqüentemente, diminuir as chances de apreciação muito forte do real.

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