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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

BC não pode perseguir dois objetivos com um instrumento

Com o arrefecimento das turbulências internacionais, que fez o dólar voltar a valer menos que R$ 2,00, o País retoma a discussão de um tema recorrente: reduzir juros é o único caminho para desvalorizar o real? E é esse o tema da Carta do Ibre, publicada na última edição da revista Conjuntura Econômica. Entre outras, Luiz Guilherme Schymura destaca ali ser importante buscar as causas da inundação de dólares no Brasil. Mas, afirma, mais relevante ainda é discutir qual deveria ser a resposta, em termos de política econômica, agora que a forte acumulação de reservas e a valorização cambial agregaram, indiscutivelmente, um componente financeiro. ''''E para isso não há resposta simples'''', adianta.A idéia de que o BC deve simplesmente baixar os juros até acabar com a atratividade das aplicações financeiras domésticas, a seu ver, tem que ser olhada com muito cuidado. ''''Num regime de metas de inflação e câmbio flutuante, a taxa básica de juros serve para regular a demanda doméstica, de forma a manter a inflação sob controle.'''' Por isso, embora as discussões sobre excesso de conservadorismo ou de ousadia por parte do BC sejam saudáveis, é preciso que essa discussão não se afaste do arcabouço lógico do sistema de metas. ''''Não se pode exigir do BC que persiga dois objetivos com apenas um instrumento.''''Além disso, a atual valorização cambial originou-se basicamente da conta corrente. ''''Recentemente, quando os fluxos financeiros se tornaram um fator relevante no balanço de pagamentos, optou-se por uma política de acumulação de reservas, que deixou espaço para a valorização nominal, embora seja difícil determinar exatamente quanto corresponde uma valorização real do câmbio'''', diz Schymura. Mesmo supondo que ela tenha ocorrido, a continuidade da alta das commodities e o desempenho crescentemente robusto da balança comercial atestam que a conta corrente ainda é um fator preponderante na determinação do câmbio.Em outras palavras, ''''mesmo uma queda drástica dos juros só afetaria a conta financeira, e poderia não trazer a desvalorização cambial almejada'''', conclui Schymura.IMPRESSÃO DIGITAL O mercado doméstico ontem andou de lado, com poucos negócios tanto na bolsa como no setor de câmbio e juros. Mas isso não quer dizer que a crise passou. ''''Mesmo se a crise voltar, não acredito que o Brasil vá crescer menos este ano, ou em 2008. Só se ela se transformar em um terremoto, o que é pouco provável. Aí, não só nós seremos atingidos, mas o mundo inteiro'''', observou ontem Paulo Skaf, da Fiesp.Portanto, Skaf continua apostando em uma redução da taxa de juros na próxima reunião do Copom. ''''Com um devido corte de gastos públicos, poderiam estar trabalhando hoje com taxa de 9,5%.''''NA FRENTENOVOS NICHOSA Fiesp, aliás, segundo conta Roberto Giannetti da Fonseca, bateu o martelo ontem na organização de uma missão rumo à costa oeste dos EUA para tratar de setores não tradicionais, como cinema. ''''Vamos promover a assinatura de um acordo entre a Motion Pictures Association e o Sindicato da Indústria de Cinema de São Paulo, vamos tratar do setor de tecnologia de informação, de biotecnologia, de biocombustível, do setor aeroespacial e do terceiro setor'''', enumera.O governo do Estado de São Paulo terá forte participação.DOCEA Natura quer porque quer comprar 20% do Native, pertencente ao Grupo Balbo, de Sertãozinho. A Native é a maior produtora de açúcar e álcool orgânico do mundo.Vai conseguir?VAI PASSARPesquisa da Arko Advice na Câmara dos Deputados aponta que a CPMF será aprovada a tempo de ser cobrada em 2008, com apoio de, potencialmente, 355 deputados, incluindo parte da oposição. ''''Vale lembrar que a base de apoio do governo soma 370'''', destaca a pesquisa.Por outro lado, a adoção de uma alíquota regressiva tem mais chance de ser aprovada pela Casa (69,2%) do que a partilha de recursos com Estados e municípios ( 50%).CONTA DE R$ 2 BILHÕESAs concessionárias de energia estão com as barbas de molho.O governo federal quer aumentar para 2% a alíquota de compensação ambiental para projetos na área. Se, hoje, a conta chega a R$ 450 milhões, com o novo porcentual poderia bater na casa dos R$ 2 bilhões. ''''Esse valor é excessivo'''', explica Sílvia Calou, diretora da ABCE, entidade que congrega as empresas do setor. ''''Sem um teto adequado, a insegurança jurídica vai atrapalhar o desenvolvimento dos empreendimentos na área.''''EM EXPANSÃOO Credit Suisse ganha reforço de peso na sua equipe.O banco acaba de contratar Eduardo Gentil (ex-Visa, BNDES e Goldman Sachs) para integrar sua área de banco de investimentos no Brasil.ENSINO BÁSICO?Usineiros se preparam para entrar com ação contra o governo.Na prova do Enem, ontem, a resposta correta à pergunta sobre o que mata os trabalhadores no corte de cana na região de Ribeirão Preto é a exaustão...

sonia.racy@grupoestado.com.br, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2028 | 00h00

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