''BC não tem de atender a apelo político''

Decisão deve ser técnica, diz Lula

Tânia Monteiro, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

11 de junho de 2009 | 00h00

Poucas horas antes da reunião do Copom que decidiu reduzir a Selic em mais 1 ponto porcentual, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou a confiança no trabalho do Banco Central e negou interferência na definição da taxa básica de juros. Em entrevista à agência de notícias Reuters, ele afirmou que o BC deve tomar suas decisões longe das pressões políticas. Na entrevista, divulgada pelo site do Palácio do Planalto, o presidente disse ainda que o BC tem acertado nas decisões que vem tomando. Indagado se acreditava haver espaço para a maior redução dos juros até o fim do ano, o presidente respondeu: "Eu acho...", mas desconversou ante a insistência dos jornalistas. "Nós temos que acompanhar... Essas coisas, nós temos que acompanhar."Lula afirmou que "seria impossível imaginar que o presidente da República não converse com o presidente do Banco Central sobre a política monetária". "Eu converso, e converso muito", disse. Mas ressalvou que tem uma relação de "respeito e de entendimento" com a instituição. "Na hora em que eles tomam uma decisão, eles precisam ficar confortáveis e não perderem a seriedade junto à opinião pública".E emendou: "Não dou palpite e não quero que o número seja político nunca".Para o presidente, a decisão sobre a taxa básica de juros tem de ser técnica. "Eu quero que o número seja eminentemente em razão da necessidade da estabilização da nossa política econômica, da nossa política monetária", declarou. "O Banco Central tem que fazer as coisas que precisam ser feitas, no momento certo. Não tem que ficar atendendo apelos eminentemente políticos. Nós temos de olhar corretamente não apenas o que nós queremos hoje, mas o que nós queremos amanhã e depois de amanhã", observou. "Essa coisa do Banco Central, a gente trabalha com relação de confiança, dando condições para eles trabalharem." Lula justificou a necessidade de se manter afastado das decisões do Copom. "Porque se ele fizer tudo o que eu quero fazer... Pode até fazer, pode até ser bonito, mas na hora em que o Banco Central perder credibilidade no mercado e ninguém acreditar mais nele, será pior para o Brasil", comentou."Eu acho que o Banco Central tem de fazer a política melhor para o Brasil. Até agora acertou, até agora as coisas deram certo. É por isso que nós temos orgulho - e eu sinto muito orgulho - de perceber que o Brasil hoje é muito mais respeitado no mundo." O presidente reconheceu, no entanto, que o spread bancário ainda está muito elevado no Brasil, mas disse que o governo vai continuar trabalhando para reduzi-lo. Segundo Lula, os bancos públicos devem procurar liderar o movimento pela redução dos custos dos empréstimos.

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