Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

BC não trabalha com flexibilização da política monetária, diz Tombini

Citando indexação de preços e ambiente fiscal incerto, presidente do Banco Central afirmou, em apresentação a senadores, que balanço de riscos para inflação permanece desafiador

Bernardo Caram, Célia Froufe e Victor Martins, O Estado de S. Paulo

22 de março de 2016 | 11h40

BRASÍLIA - Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que o balanço de riscos para inflação permanece desafiador. "Mecanismos de indexação e incertezas quanto ao processo de recuperação de resultado fiscal não nos permite trabalhar com flexibilização das condições monetárias", afirmou. 

Ele ponderou que o mês de fevereiro representou o início do declínio da inflação em 12 meses. Segundo ele, nos próximos meses, outros fatores levarão a uma tendência de declínio. O presidente do BC diz que o banco trabalha com inflação de até 6,5% em 2016 e na meta em 2017. 

Para ele, para que haja o controle do custo de vida, a política fiscal é determinante. “A política fiscal, quanto mais apertada, para nós é melhor. Com o avanço nas medidas que têm sido propostas pelo governo, o ajuste fiscal seria importante nesse processo de ancorar expectativas e de distensão monetária mais a frente.”

Cenário econômico. Segundo Tombini, o Brasil passa por ajuste fiscal, monetário e externo, mas, como ponderou, eles ocorrem em velocidades distintas. Segundo ele, a expectativa é de que o déficit nas contas externas feche o ano baixo dos US$ 30 bilhões. “Isso é um ajuste significativo. Houve reversão de déficit para superávit na balança comercial”.

Tombini relatou ainda que o saldo acumulado da balança comercial deve crescer de modo expressivo este ano, superando os US$ 30 bilhões. Como em outras ocasiões, ele afirmou que o câmbio flutuante é a primeira linha de defesa do País. “Nossa moeda teve significativa redução nos últimos anos. Os ganhos para a competitividade nacional (com depreciação cambial) são indiscutíveis. O custo unitário do trabalho na indústria, desde meados de 2014, caiu 40% quando medida em dólar. Os ganhos de competitividade têm estimulado exportações e a substituição de importações”, disse.

Para ele, apesar da crise política e econômica, o Brasil manteve a atratividade para investidores estrangeiros e lembrou que em 2015 o País atraiu US$ 75 bilhões em investimentos estrangeiros diretos, permitindo financiamento integral do déficit em conta corrente.

O ajuste da taxa de câmbio contribui para diminuir demais danos que possam ser gerados por instabilidades internacionais nos mercados domésticos, segundo Tombini. “Quando ocorrem volatilidades globais, as moedas apreciadas sofrem mais”, observou.

O presidente do BC ainda argumentou que para que a taxa de câmbio possa flutuar sem causar maiores desequilíbrio, a economia doméstica tem de estar preparada. Ele lembrou que em um passado recente do País, as depreciações do real frente o dólar causaram “pesado” efeito econômico. “Atualmente, a economia não se encontra excessivamente exposta ao risco cambial”, avaliou. Ele observou que a formação de reservas, o programa de swaps - que permitiu as empresas e investidores passarem com segurança período de instabilidade cambial - e por ultimo, o mudança no estrutura do balanço de pagamentos, impediram uma crise mais intensa.

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