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BC não vê 'tsunami' de dólares no Brasil

Estimativa de entrada de investimentos estrangeiros para este ano é de US$ 67 bi

EDUARDO CUCOLO, FERNANDO NAKAGAWA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2012 | 03h07

Apesar das preocupações do governo e do setor privado com o "tsunami monetário" que ameaça valorizar o real e tirar competitividade das exportações brasileiras, o Banco Central manteve as estimativas de uma entrada de dólares no País apenas pouco maior que o necessário para cobrir o déficit recorde nas transações de bens e serviços com o exterior esperado para 2012.

A previsão divulgada ontem para investimentos estrangeiros no setor produtivo e aplicações no mercado financeiro, por exemplo, é de US$ 67 bilhões, valor idêntico à projeção de dezembro. A diferença é que, na época, esse valor era mais que suficiente para financiar o déficit do Brasil nas suas transações de bens e serviços com o exterior estimado pelo BC, de US$ 65 bilhões.

Agora, a nova projeção indica que serão necessários mais dólares para fechar a conta, pois o BC prevê um déficit recorde de US$ 68 bilhões.

A autoridade monetária prevê menos exportações e gastos maiores de brasileiros em viagens internacionais. A estimativa de rombo só não ficou maior porque o BC acredita que as empresas vão remeter menos lucros e dividendos ao exterior.

Para cobrir a diferença nas transações correntes, o País vai precisar, por exemplo, dos recursos de empréstimos obtidos no exterior por empresas e bancos, justamente as operações que foram alvo das novas medidas cambiais adotadas neste ano.

Tsunami. No início deste mês, o governo estendeu a cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% para empréstimos com prazo abaixo de cinco anos. Até fevereiro, a taxação afetava apenas operações abaixo de dois anos. A presidente Dilma Rousseff justificou a medida como necessária para conter o "tsunami monetário" do exterior, ou seja, a entrada de dólares que contribui para valorizar o real e tirar competitividade das exportações brasileiras.

Apesar da medida, o BC reduziu ontem a previsão de entrada de dinheiro nessas operações em apenas US$ 500 milhões, de US$ 6,9 bilhões para US$ 6,4 bilhões. Os valores estão bem abaixo dos quase US$ 48 bilhões verificados em 2011, quando o governo começou a fechar essa porta, que se tornou um dos principais canais para especulação com o dólar no País.

Os economistas ainda divergem sobre a existência dessa onda gigante de dólares rumo ao Brasil, mas concordam que a entrada de recursos a partir de agora será menor.

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