BC nega divergências sobre fundo

''''Eu e o ministro Mantega falamos a mesma coisa'''', diz Meirelles em relação à destinação de excedente de reservas

Nalu Fernandes, O Estadao de S.Paulo

23 de outubro de 2007 | 00h00

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que não há divergências com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na avaliação sobre o fundo soberano de investimento (SWF, sigla para sovereign wealth funds em inglês). ''''Eu e o ministro falamos a mesma coisa. Estamos absolutamente sintonizados.'''' Mantega reiterou, ontem, que o fundo soberano poderia começar com US$ 10 bilhões e os recursos viriam a partir de um certo nível de reservas - de US$ 170 bilhões a US$ 180 bilhões.O número de US$ 10 bilhões, diz Meirelles, é apenas para dar dimensão ao mercado sobre o que estaria por vir. ''''Ainda estamos decidindo'''', disse Meirelles, mas acrescentou que dar uma estimativa do montante ao mercado é uma ''''atitude prudente e de bom senso''''. O presidente do BC deu entrevista depois de receber o prêmio ''''Banqueiro Central do Ano'''', concedido por uma revista britânica.As afirmações de Meirelles foram confirmadas por Mantega. ''''Não há absolutamente nenhum descompasso para o fundo soberano entre o que o presidente Meirelles defende e aquilo que eu defendo'''', afirmou o ministro, após participar de evento para investidores em Washington. De acordo com o ministro, a criação do fundo não colocará um limite para a acumulação de reservas, possibilidade que o presidente do BC não quis comentar na entrevista que antecedeu à do ministro.Segundo Mantega, ''''as duas equipes estão trabalhando juntas''''. ''''Então o descompasso é fictício. Como não definimos as regras do fundo, fica essa especulação.'''' Os dois afirmaram que as reservas serão acumuladas até certo nível, ainda não definido, e, a partir de então, começa-se a formar o fundo soberano.''''A partir de um certo volume de reservas, que continuarão sendo administradas de forma tradicional, que pode ser US$ 170 bilhões a US$ 180 bilhões, o excedente poderá ser adquirido diretamente pelo fundo'''', diz Mantega. As reservas adicionais, acrescenta, vão para o fundo soberano para aplicações financeiras. ''''Até aí há perfeito entendimento.''''A partir daí, a dúvida é saber se ao chegar no nível que permita o início do fundo a acumulação de reservas seria interrompida. O presidente do BC não quis comentar se essa interrupção irá ocorrer com a criação do fundo e também não respondeu se haveria um limite para as reservas a partir do qual seria iniciado o fundo.Já o ministro afirmou que o processo de acumulação de reservas não será interrompido quando as reservas atingirem o tal nível ainda não definido. ''''As reservas não têm limite para ser acumuladas. Poderão passar dos US$ 200 bilhões'''', exemplifica.

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