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BC olha 'oportunidades de mercado' para gerir reservas

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Mario Torós, explicou hoje que a gestão das reservas internacionais passa por três critérios que seguem a ordem: moeda, taxa de juro e risco. Segundo ele, o tripé define as decisões, mas a administração dos mais de US$ 210 bilhões das reservas está atenta às "oportunidades de mercado". Segundo o diretor da autoridade monetária, há uma margem para realocar recursos em busca de maior rentabilidade, desde que o risco não seja alterado. Torós não detalhou qual o espaço para essa realocação dos recursos.

FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

12 de agosto de 2009 | 18h35

O diretor do BC, porém, deu como exemplo a janela de oportunidade aberta no segundo semestre do ano passado, em meio à crise financeira mundial. Com o agravamento do quadro, caiu de forma relevante o preço dos títulos emitidos por agências internacionais e organismos supranacionais. Ao mesmo tempo, segundo Torós, diminuiu a atratividade dos papéis emitidos pelos governos. "Portanto, saímos das curvas (dos títulos) dos Tesouros e fomos para as agências e supranacionais", disse. Assim, o BC vendeu papéis emitidos, por exemplo, pelo Tesouro dos Estados Unidos e investiu o dinheiro em títulos emitidos por organismos como o Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento e do KfW Bankengruppe, banco de fomento da Alemanha.

Torós disse que a gestão das reservas em relação às moedas acompanha, desde 2008, o perfil da dívida externa total do Brasil. Até 2007, essa distribuição correspondia apenas à dívida do governo brasileiro. Mas agora a dívida do setor privado também é levada em conta pelo BC. "A partir de outubro de 2008, com a consolidação do maior volume de reservas do País, a distribuição por moedas passou a refletir basicamente as principais moedas do passivo externo total registrado, considerando-se a preferência de risco do BC", cita relatório distribuído pelo BC.

Conforme dados da própria autoridade monetária, 81,6% da dívida externa registrada em março de 2009 era em dólar. A participação do iene era de 7,9% e do euro, 5,1%. Os dados dizem respeito a uma parcela de US$ 166,5 bilhões de uma dívida total de US$ 192,6 bilhões.

O BC mantém a política de investimento das reservas internacionais, que é determinada em um horizonte de longo prazo. As decisões, porém, são dinâmicas e podem mudar ao longo do tempo. Em entrevista sobre o novo relatório das reservas, Torós minimizou as preocupações do investimento das reservas em ativos denominados em dólar. "Estamos perfeitamente tranquilos com o investimento nos Estados Unidos. Em princípio, não vemos nenhum problema em fazer investimento nesses ativos", disse.

Segundo o novo relatório apresentado pelo BC, o dólar era a moeda de 89,1% dos ativos das reservas em dezembro de 2008. A parcela em euro correspondia a 9,4% e 1,5% estava em outras moedas, como o iene. Torós se recusou a dar detalhes sobre a evolução desses números em 2009. Mas reafirmou que a gestão das reservas é dinâmica. "Por isso, esses números podem mudar razoavelmente".

Atualmente, alguns analistas chamam a atenção para o risco de investir boa parte das reservas em ativos denominados na moeda norte-americana. Problemas poderiam ser gerados pela eventualidade de inflação nos EUA. Durante a entrevista, Torós minimizou essa preocupação ao lembrar que a alta de preços na economia norte-americana geraria efeito cascata nas outras grandes economias, como a Europa e o Japão. Por isso, todas as principais moedas tendem a sofrer com a inflação nos EUA.

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