BC: Opportunity abria conta só com autorização verbal

Fiscalização realizada pelo Banco Central, que enquadrou o Banco Opportunity, do banqueira Daniel Dantas, em irregularidades no Sistema de Prevenção e Detecção à Lavagem de Dinheiro (PDLD), aponta que o banco abria contas de depósito tendo como parâmetro apenas aprovação verbal do diretor Itamar Benigno Filho, indiciado pelo Ministério Público ao lado de Daniel Dantas por gestão fraudulenta e formação de quadrilha. Segundo o BC, documentos básicos como comprovação de patrimônio e renda não eram requisitados.A informação emergiu de uma entrevista com a supervisora de cadastros do Opportunity, Yochabel Machado de Souza Correa. Segundo ela, era possível abrir conta de depósito sem a documentação exigida pela legislação "desde que autorizada, verbalmente, pelo sr. Itamar Benigno Filho". A constatação serviu de base para o Banco Central concluir que a instituição "não tem controle" das operações de seus correntistas e "expõe seus produtos e serviços à lavagem de dinheiro". Os fiscais do BC reuniram-se ainda com Benigno, que confirmou o procedimento realizado pelo banco. Segundo ele, o Opportunity nunca implementou controles ou deu seguimento à prevenção à lavagem de dinheiro em contas de depósito porque se trata de um "subproduto" da instituição, "os clientes que utilizam esse produto são todos conhecidos" e, por isso, "não estariam correndo risco?. Outra justificativa apresentada por Benigno foi a de que o banco procurava "evitar custos com mais esse monitoramento?. Todas as informações foram confirmadas pela equipe do Banco Central com o diretor-presidente do Opportunity, Dório Ferman. O BC suspeita de irregularidades no banco desde 2002. Em sua primeira Avaliação de Controles Internos e Compliance (ACIC), realizada naquele ano, a autarquia organizou os primeiros passos do processo administrativo atual. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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