BC: País adota princípio da estabilidade financeira

Campos do Jordão, 31/8/2013 - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou, há pouco, no discurso de encerramento do 6º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, que no Brasil, por influência dos períodos de turbulência observados nas décadas de 1980 e 1990, "o princípio da estabilidade financeira faz-se presente, há mais tempo, nas ações, nas políticas e no modus operandi da nossa supervisão".

Agencia Estado

31 de agosto de 2013 | 18h40

Segundo ele, o BC tem como "uma de suas missões institucionais assegurar a estabilidade financeira e o bom funcionamento do nosso sistema". Para o presidente do BC, o princípio da estabilidade financeira foi fortalecido pela autoridade monetária em todas as medidas, ações e políticas, no campo da administração, da regulação, da organização do sistema financeiro e das operações com o mercado. "Instituímos, aperfeiçoamos e fortalecemos os fóruns de coordenação no âmbito do próprio Banco Central e de supervisores nacionais, bem como ampliamos e intensificamos a nossa representação nos fóruns internacionais".

Segundo ele, essas ações propiciam "uma visão mais abrangente dos mercados e dos segmentos que compõe o sistema financeiro, nacional e internacional, o que contribui para a adoção de ações e políticas para a manutenção e o fortalecimento da estabilidade financeira no País."

Tombini lembrou ainda a constituição do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), fórum que contribui de forma decisiva para a formulação de políticas e a implantação de ações que visam mitigar potenciais riscos ao sistema. "No contexto nacional, intensificamos o intercâmbio de informações e a coordenação de ações e de políticas com os demais supervisores financeiros.

No contexto internacional, ampliamos e fortalecemos também a nossa coordenação com os supervisores de outros países, intensificando nossa representação nos fóruns internacionais, como o FSB e o Comitê de Basileia, e o intercâmbio bilateral com países em que estão presentes instituições financeiras brasileiras ou cujas instituições estão presentes em nosso mercado", completou.

Tombini afirmou também que "a preocupação com a estabilidade financeira" antes da crise de 2008 "foi até certo ponto cíclica." "A estabilidade financeira, de uma forma ou de outra, sempre esteve no radar dos supervisores. Mas, no passado, era outra a dimensão. Muito mais restrita e com um rol de instrumentos bem mais limitado", disse.

"Além disso, a preocupação com a estabilidade financeira sempre foi cíclica. Nos períodos de calmaria dos mercados, como o observado durante a grande moderação, era relegada a segundo plano", ponderou Tombini.

"Questões relacionadas à saúde dos bancos, à assunção de riscos pelos agentes, à dinâmica dos mercados de crédito e de capitais, à evolução dos preços dos principais ativos da economia e aos fluxos de capitais eram tratadas de forma não sistêmica", disse.

Segundo o presidente do Banco Central, a regulação financeira era centrada essencialmente em regras microprudenciais, baseadas no pressuposto de que a solvência das instituições financeiras individualmente asseguraria a estabilidade de todo o sistema financeiro. "A crise internacional de 2008 impôs uma nova realidade às preocupações coma estabilidade financeira", disse.

Ele fez os comentários durante palestra de encerramento do sexto Congresso Internacional de Mercados Financeiros e de Capitais da BMF& Bovespa. (Ricardo Leopoldo e Gustavo Porto, enviados especiais)

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