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BC passa a considerar dólar em R$ 2,85

O valor considerado para o dólar está abaixo do valor negociado no dia em que o colegiado decidiu subir a Selic, quando a moeda fechou em R$ 2,979

VICTOR MARTINS, CÉLIA FROUFE E ADRIANA FERNANDES, Agência Estado

12 de março de 2015 | 09h17

O Banco Central trabalhou com um dólar defasado ao tomar a decisão, na semana passada, que elevou a taxa Selic de 12,25% ao ano para 12,75% ao ano. Nos últimos dias, inclusive, a alta da divisa norte-americana ante o real alimenta projeções de elevação do IPCA no mercado financeiro - o que levaria o Comitê de Política Monetária (Copom) a uma estratégia de mais aperto monetário. 

Em ata divulgada nesta quinta-feira, a instituição informou que mudou sua premissa para o câmbio de R$ 2,65 para R$ 2,85 pelo cenário de referência. O valor considerado para o dólar está abaixo do valor negociado no dia em que o colegiado decidiu subir a Selic, quando fechou em R$ 2,9790. Vale ressaltar que aquele foi o último dia que a moeda americana encerrou os negócios no Brasil comercializada abaixo de R$ 3,00. O dólar para abril, no dia da reunião do BC, fechou a R$ 3,0020.

Para a taxa básica de juros no cenário de referência, o colegiado considerou a Selic em 12,25% ao ano, segundo a ata publicada há pouco. No Relatório Trimestral de Inflação, divulgado no final de dezembro, o BC utilizava a cotação de R$ 2,55 como premissa para seus exercícios.

O realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais - via alta do dólar - foi apontado pelo BC como um dos principais fatores de pressão para a inflação no curto prazo. A elevação do dólar frente o real ganhou importância na ata, apesar da cotação defasada, sobretudo na avaliação sobre as exportações. 

Até a reunião anterior do Copom, o BC considerava que as vendas externas tendiam a ser beneficiadas pelo cenário de maior crescimento de parceiros comerciais e pela depreciação do real. No novo documento, ele trocou a palavra "tendem" por "devem", reforçando a mensagem de que a elevação do dólar frente a moeda brasileira e a expansão da atividade em outros países devem favorecer a balança comercial. 

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