Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

BC pavimenta volta de juros básicos em dois dígitos no início de 2022

Banco Central afirmou, na ata do Copom, que o mais 'adequado' é aumentar a Selic em 1,5 ponto porcentual no próximo encontro do Comitê de Política Monetária; taxa deve chegar a 10,75%

Thaís Barcellos e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2021 | 09h37

BRASÍLIA - O Banco Central pavimentou a volta dos juros básicos da economia em dois dígitos, ao afirmar nesta quarta-feira, 14, que o mais "adequado" é aumentar a Selic em 1,5 ponto porcentual no próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), marcado para fevereiro do ano que vem, quando a taxa deve chegar a 10,75%.

A informação consta na ata do último encontro, quando a Selic subiu para 9,25%, o patamar mais alto desde setembro de 2017. 

O aumento do juro básico da economia reflete em taxas bancárias mais elevadas, embora haja uma defasagem entre a decisão do BC e o encarecimento do crédito (entre seis meses e nove meses). A elevação da taxa de juros também influencia negativamente o consumo da população e os investimentos produtivos.

"Concluiu-se que o ritmo de ajuste de 1,50 ponto percentual, neste momento, é adequado para atingir, ao longo do ciclo de aperto monetário (de alta de juros), um patamar suficientemente contracionista para não somente garantir a convergência da inflação ao longo do horizonte relevante, mas também consolidar a ancoragem das expectativas de prazos mais longos", disse o BC, na ata.

O comitê chegou a essa conclusão depois de analisar suas projeções de inflação utilizando simulações com trajetórias de juros com diferentes taxas, sob vários cenários alternativos, conforme a ata. No documento, o colegiado diz que também comparou cenários com ritmo de alta de juros maiores do que 1,50 ponto porcentual com cenários "em que a taxa de juros permanece elevada por período mais longo do que a implícita no cenário básico", mas considerou a "dosagem" de 1,5 ponto porcentual a mais adequada.

Mas, mesmo levando o juro a dois dígitos, o BC pode não alcançar seu objetivo de controlar a inflação pelo segundo ano consecutivo. No mercado financeiro, a maioria das instituições já espera o rompimento da meta de inflação este ano e em 2022. Além disso, o BC tem visto as estimativas de mercado “fugirem” da meta em prazos mais longos. 

Na ata, o Copom justificou que há dúvidas sobre o controle dos gastos públicos, chamado tecnicamente de "risco fiscal". 

Pelo cenário básico usado pela autoridade monetária, o BC considera uma taxa de juros de 9,25% ao ano no fim de 2022 e de 11,25% ao ano no fechamento de 2023, com uma taxa de câmbio de R$ 5,65. Com isso, sua projeção de inflação estaria em 4,7% em 2022 e 3,2% em 2023.

Já o mercado financeiro considera que a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficará acima de 5% em 2022, o que seria o segundo ano consecutivo de estouro da meta, caso seja confirmado.

A meta central de inflação para o ano que vem, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3,5% e será considerada formalmente cumprida se ficar entre 2% e 5%.O mercado financeiro, porém, já projeta 5,02%.

Para 2021, o centro da meta de inflação em 2021 é de 3,75%. Pelo sistema vigente no país, será considerada cumprida se ficar entre 2,25% e 5,25%. O mercado financeiro estima que inflação este ano deve ficar um pouco acima de 10%. 

Se confirmada a previsão, essa será a primeira vez que a inflação atinge esse patamar de dois dígitos desde 2015 — quando o IPCA somou 10,67% - no governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

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