BC pode diminuir compulsórios para ajudar bancos médios

Já a Fazenda estuda reduzir o IOF sobre financiamentos, como parte da estratégia para reanimar a economia

ADRIANA FERNANDES / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2011 | 03h05

O governo vai adotar uma estratégia de sintonia fina para administrar as próximas medidas de estímulo ao crescimento da economia em 2012 e não comprometer o processo de queda da taxa básica de juros.

O Estado apurou que o Banco Central (BC) avalia a necessidade de liberar parte dos depósitos compulsórios para ajudar a dar liquidez aos bancos médios. Os compulsórios são recursos que as instituições financeiras são obrigadas a manter no BC. O Ministério da Fazenda, por sua vez, estuda a possibilidade de reduzir o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os financiamentos bancários.

A prioridade, no entanto, continua sendo a de abrir caminho para ajustes moderados da taxa Selic, como sinalizou anteontem o presidente do BC, Alexandre Tombini. Desde agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) já fez dois cortes, de 0,5 ponto porcentual cada, na taxa básica de juros, que atualmente está em 11,5%. A expectativa é que uma nova redução, de mesma magnitude, seja aprovada dentro de duas semanas, quando o comitê realiza sua última reunião do ano.

Os dados do desempenho do setor de varejo - que vem patinando - foram determinantes para a decisão da equipe econômica de iniciar, na semana passada, o processo de desmonte das medidas macroprudenciais lançadas no final de 2010. A queda nas vendas em agosto reforçou a necessidade de antecipar a retirada de parte das travas ao crédito. Mas a política adotada pela Fazenda e pelo BC deverá ser de gradualismo a partir de agora.

Segundo apurou o Estado, o governo deve aguardar o resultado da divulgação do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, no início de dezembro, para definir os próximos passos.

Oba-oba. "Não haverá um oba-oba de novas medidas. Tudo está sendo feito sempre olhando o cenário prospectivo de inflação", disse uma fonte do governo. Nesse sentido, o recado do presidente do BC, em cerimônia na quarta-feira, foi direto: é preciso tempo para que os cenários fiquem mais claros, mas a ação tem sido consistente com o retorno da inflação à meta em 2012.

Os dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) do terceiro trimestre de 2011 - a primeira queda em bases trimestrais desde os primeiros três meses de 2009 - reforçam a necessidade de novas ações. O governo tem em mãos dados sobre outros indicadores que mostram uma desaceleração mais forte, num quadro de queda dos investimentos.

O Ministério da Fazenda trabalha com uma projeção de alta do PIB em 2011 entre 3,5% e 3,8%, mas de fato há uma preocupação que a variação fique abaixo desses níveis.

Embora o roteiro do cardápio das medidas seja muito parecido com a sequência já adotada pela equipe econômica para acelerar o crescimento na crise de 2008 e 2009, a diferença desta vez, segundo fontes, é que o governo está comprometido com uma política fiscal mais sólida, que ganhou papel reforçado na política monetária.

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