BC pode elevar previsão para crescimento do PIB no ano

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles se mostrou otimista com o crescimento brasileiro de 2007 nesta segunda-feira, 19, em entrevista coletiva à imprensa concedida durante a reunião da Assembléia de governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), na Guatemala.Segundo o presidente do BC, indicadores antecedentes mostram a robustez no crescimento da demanda, que tem puxado a oferta, o que indica alta do PIB no primeiro trimestre igual ou superior ao do mesmo mês do ano passado. "As indicações para o primeiro trimestre são de um crescimento constante", disse, ressaltando que os "indicadores antecedentes mostram ainda um crescimento, talvez até mais forte - ou similar - do que o do primeiro trimestre (de 2006)."Apesar de se mostrar cauteloso e não citar números, Meirelles indicou que o BC poderá revisar para cima a projeção para o crescimento do País em 2007. No último relatório de inflação divulgado pela instituição, a previsão era de 3,8%. "Vamos divulgar o relatório de inflação deste mês e aí daremos o nosso número atualizado".Para o presidente do BC, o crescimento da oferta puxado pela demanda deixou de ser uma hipótese e já se mostra consolidado, demonstrando assim uma maior probabilidade de atingir um crescimento sustentável para o País. "Temos uma economia que já está robusta e vemos uma oferta crescendo da mesma forma. Isso já está consolidado, não é uma hipótese", analisou.Mercado internacionalAs mudanças de humor no mercado financeiro internacional, que passa por um momento de reavaliação de riscos, também não preocupam o presidente do BC, que acredita no fortalecimento do mercado interno como forma de evitar impactos negativos sobre a economia brasileira.Segundo o Meirelles, o Brasil se encontra numa situação diferente de outros países semelhantes, que têm elevado os juros e reduzido o crescimento."O Brasil está num ponto diferente do ciclo, em comparação com muitos países. O Brasil está acelerando o crescimento, não está desacelerando. Além do mais estamos num processo de flexibilização da política monetária, enquanto a maior parte está no caminho contrário", afirmou.Para Meirelles, o crescimento da demanda com o início da aceleração pelo lado da oferta, também trazem um conforto adicional ao País, para o caso de um aprofundamento da aversão ao risco. "Temos todos os indicadores de solvência positivos. Além disso, o Brasil está crescendo hoje, impulsionado pela demanda doméstica, portanto menos dependente da expansão da demanda externa",avaliou.Entretanto, para o presidente do BC, o Brasil - mesmo com fundamentos sólidos - não sairia incólume, no caso de uma reversão na tendência de crescimento da economia norte-americana. "Não há dúvidas que se os Estados Unidos, porventura, entrasse em uma recessão, isso afetaria o mundo todo, e o Brasil é parte da economia global", finalizou. Matéria alterada às 16h27 para acréscimo de informações

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