BC pode obrigar bancos no redesconto a financiar exportadores

Em reunião extraordinária, CMN decide garantir que empréstimos do BC cheguem a empresas com problemas

Reuters,

16 de outubro de 2008 | 16h38

O Banco Central poderá obrigar as instituições financeiras que usarem a janela de redesconto a direcionar parte ou o total do volume captado para financiar os exportadores. Em reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN), o governo decidiu incluir na resolução do BC que trata do uso do redesconto essa possibilidade, num claro movimento que visa garantir que o dinheiro que o BC está se prontificando a emprestar chegue às empresas que estão tendo dificuldades de financiamento.   Veja também: Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    O redesconto é, tradicionalmente, a última modalidade de empréstimo que o BC pode usar para financiar instituições financeiras. Mas com o travamento do mercado de crédito no mundo e no Brasil, por conta da crise global, o BC resolveu usar desse instrumento para fortalecer o financiamento ao comércio exterior.   Este empréstimo é feito por meio de uma compra, com compromisso de revenda, de títulos, créditos e direitos creditórios que estejam nos ativos dos bancos.   A possibilidade de obrigar expressamente o uso do dinheiro do redesconto para operações de comércio exterior vem um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ameaçar cancelar as medidas tomadas pelo BC para aumentar a liquidez do mercado de crédito se os bancos não elevarem seus níveis de empréstimos.   O ministro da Fazenda, Guido Mantega afirmou, em nota, que as medidas irão auxiliar no restabelecimento da liquidez do crédito para as empresas exportadoras. "Nosso principal problema é a falta de liquidez, principalmente para financiar as exportações. As medidas anunciadas visam facilitar o acesso ao crédito pelos exportadores e pelas empresas que possam estar tendo problemas de capital de giro", disse.   A nota ainda informa que na reunião desta quinta entre Mantega e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, no final da manhã, foi feita uma avaliação no cenário da crise financeira internacional das medidas já adotadas pelo governo brasileiro e da conjuntura econômica do País. Um dos principais problemas analisados foi o da escassez de crédito para o financiamento das exportações brasileiras.   Além de Mantega e Meirelles, participaram da reunião os diretores do BC Alexandre Tombini (Normas) e Mário Torós (Política Monetária), e os secretários do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa (Política Econômica), Arno Augustin (Tesouro) e Bernard Appy (Assessor Especial para Reformas).   (com Renata Veríssimo, da Agência Estado)

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