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BC pode parecer menos zeloso com inflação

Para economista-chefe do banco cooperativo Sicredi, isso pode prejudicar o controle do canal das expectativas e o esforço de recolocar a inflação no centro da meta

Fabio Graner, da Agência Estado,

21 de julho de 2011 | 16h12

O economista-chefe do banco cooperativo Sicredi, Alexandre Barbosa, afirmou que a retirada da expressão "ajuste suficientemente prolongado" faz o Banco Central parecer menos zeloso com a inflação. E isso, segundo ele, prejudica o controle do canal das expectativas e o esforço de recolocar a inflação no centro da meta.

"Diante de tais circunstâncias, o Banco Central não só necessita ser zeloso com a inflação, mas precisa parecer também. A decisão de aumentar os juros "prova" que a instituição é zelosa, mas a retirada da frase faz a mesma "parecer menos zelosa", afirmou Barbosa, para quem a autoridade monetária pode sofrer com a deterioração das expectativas de inflação para 2012 e 2013. "No caso de um BC que pretende controlar o importante canal de expectativas para poder atingir o centro da meta de inflação, a tarefa de manter a credibilidade é sempre muito difícil e cheia de nuances", disse.

O economista disse que achou estranho o Copom retirar a expressão que representava um "free lunch (almoço grátis)" em termos de credibilidade. "Ela não obrigaria o Copom a aumentar a Selic em agosto, pois o "período prolongado" significa desde abril. Mas manteria o mercado um tanto alerta", avaliou.

Barbosa considera que, se o BC está mais preocupado com o cenário externo, isto deveria já ter sido sinalizado no comunicado e precisa estar enfatizado, em "letras garrafais" na ata da semana que vem. "O Copom poderia informar que, neste momento, o cenário internacional leva a um quadro em que o balanço de riscos pode comprometer a continuidade do aperto monetário. Até porque, no ano passado, ocorreu o inverso, quando a política monetária parou de ser ajustada e a inflação voltou à plena força", disse.

O economista lembrou que se há o exemplo das dificuldades geradas pela crise internacional em 2008, o Copom também precisa lembrar de 2010, quando parou de aumentar o juro precocemente, permitindo um aumento muito mais forte da inflação, que já superou os 6%.

Barbosa acredita que, mesmo não estando no plano de voo atual do Copom, haverá novo aumento de juros em agosto. "Parar exatamente no momento dos dissídios, quando a inflação estiver em torno de 7% no acumulado em 12 meses, seria uma sinalização ruim para as negociações salariais que tanto preocupam o próprio BC", disse.

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